Os Intelectuais e a Sociedade – Thomas Sowell

Os Intelectuais e a Sociedade – Thomas Sowell

Resumo para a Confraria Café Brasil

Comentário inicial:

Querida Confreira, querido confrade; aqui segue meu resumo do livro de Sowell, que passou em minhas mãos pelo programa #DeMãoEmMão. Até mesmo antes dos comentários de trechos do livro, e dos destaques feitos pelo Fábio Ribeiro (dono do livro). Eu tenho que explicar uma coisa ou outra. Eu utilizarei alguns termos específicos que resumem ideias maiores, que se referem ao Brasil. O termo mais frequente poderá ser “Burritsia”, que é a nossa versão da Intelligentsia –  grupo de intelectuais e seus admiradores que divulgam e reforçam as ideias que esse grupo de pensadores de meia tigela tiram da cabeça e de uma realidade alternativa impossível de ser criada – muito citada pelo autor. Outra palavra, que seria comum era: “intelequitual”, que é uma tentativa de piada com o que o autor do livro chama por um termo mais longo: intelectual ungido; como se pode imaginar, o indivíduo que arrota ideias bombásticas e disruptivas para o seu tempo mas que na verdade mais atrapalham do que ajudam. De todo jeito, desisti da piada com o “intelequitual” porque me pareceu piada fraca que só piora quanto mais se repete – e acredite, neste livro, o que mais se verá é intelequitual falando besteira. Expressões como “brazuca”, citações a outros livros, podcasts, filmes e frases também irão acontecer, e sou o único culpado por isso, desculpe. Outro ponto são os grifos e destaques feitos por Fábio (que irei abreviar sempre como FSR), que nem todos irei citar neste resumo por serem auto evidentes, ou já estejam comentados pelo próprio FSR no livro. Vez ou outra, eu posso ter algum insight sobre o que pode ter passado na cabeça de FSR ao destacar. Mas já aviso que é pura imaginação da minha, e é mais provável que eu esteja viajando na maionese e a culpa é exclusivamente minha, não de FSR, que até onde sei é uma pessoa de bom senso e nem um pouco chegada a fazer associações malucas de ideias. Isso é falha de caráter minha exclusiva, como talvez você que está lendo esse livro agora, estando na confraria, já deve ter percebido pelos meus posts.

Outro ponto importante: a contagem de parágrafos que faço para apontar os trechos neste livro. Não sei se existe um padrão correto, então adotei o seguinte: nem todo parágrafo começa e termina na mesma página, então, parágrafos que se estendem para outra página, são, por mim, considerados um novo parágrafo, logo, passam a ser o 1º parágrafo (§) da página. Também uso o símbolo “§”, que é a abreviação adequada do termo, para economizar espaço. E citações, em letra menor, também são contados por mim como parágrafo inteiro.

E boa leitura! Espero que esse livro seja um deleite como foi pra mim, e como sei que foi para FSR.

Prefácio

Pg.9, 1º§: transcrição de outro livro que descreve o comportamento comum dos professores ginasiais e de 2º grau no final do século passado: aquele professor galeroso (sic), que usava suas aulas para lutar contra o “sistema” de um jeito bem particular. Que era nada mais que mostrar os ditadores modernos como libertadores e nobres revolucionários e os antigos heróis da pátria como gente ridícula e desprezível. Na verdade, o perfil traçado dos heróis parecia uma cartela de bingo que nunca variava: ganancioso, burro, chauvinista, sanguinário, corrupto, insensível, arrogante e similares.

Capítulo 1 – O Intelecto e os Intelectuais

Pg.15, 2º§ à pg.16, 1º§: descrição da falha fundamental da essência do pensamento marxista sobre riqueza e trabalho. Ou seja, aquela baboseira absurda sobre o valor de um produto está associado ao tempo de trabalho associado a manufatura do mesmo. Por exemplo, eu levaria infindáveis horas para serrar e montar uma cadeira e nem por isso ela valeria R$10 mil. Pois o valor de um produto está na mente de quem compra, não na do produtor ou vendedor.

Pg.16, 2º§ (após o grifo de FSR): uma ótima definição do que é sabedoria. Qual seja: a habilidade de combinar intelecto, conhecimento, experiência e julgamento de uma maneira capaz de produzir uma compreensão ou avaliação coerente. Perceba. É um esforço para produzir algo útil ao mundo real, e que não seja uma fantasia bonita de ser dita ou ouvida.

Pg.19, 2º§+nota de rodapé: FSR destaca a realidade brazuca. Claro, ignore-se os números da pesquisa citada, por motivos óbvios. De todo jeito, a área de Humanas nas universidades é esmagadoramente habitada por esquerdistas.

Pg.23, 2º§ (grifo FSR): característica comum aos intelectuais que se veem como tal, é exatamente a ausência de teste externo (ou no mundo real) de suas ideias e visões de mundo. O reconhecimento que alcançam está associado ao quão extraordinário é o que descrevem e não a sua identificação do que foi dito com o mundo real.

Pg.27, 1º§ (grifos FSR): o ambientalista Paul Ehrlich, com sua visão alarmista de um futuro (anos 1970, na visão de alguém de 1968) com fome mundial é um exemplo de intelectual de araque que propagandeou um futuro tenebroso para justificar seus planos e soluções. Quando esse futuro chegou e não aconteceu o que ele previu, ficou tudo na mesma pois ele continuava honrado e prestigiado apesar das maluquices que falou. Para essa mesma turma, eu lembro de outros intelectuais que fizeram o mesmo: George Bernard Shaw (dramaturgo socialista que usava suas peças para destruir símbolos históricos que discordava, junto com desafetos contemporâneos à ele), Bertrand Russel (filósofo e matemático metido à conselheiro político do mundo, dando soluções sociais e militares a quem quisesse ouvi-lo), Noam Chomsky (linguista que vive nos EUA, socialista de carteirinha que vive do capitalismo do ocidente, mas adoraria transformar o mundo inteiro em uma antiga URSS) – os três serão melhor apresentados pelo autor no começo do capítulo seguinte, todos eles merecem um título que resumem bem o que são: intelectuais teflon, nada do que dizem gruda neles, suas reputações continuam limpinhas não importa o que dizem.

Capítulo 2 – Conhecimento e Noções

Pg.34, 3º§ (destaque FSR): a análise de mercado (onde localizar seu negócio, qual o perfil do cliente, onde ele está, etc.) é um exemplo de conhecimento prático do mundo dos negócios que, para um intelectual como os citados na nota anterior, seria classificado como não-importante. Mas é justamente tal tipo de conhecimento que traz o sucesso para um empreendimento. Outro exemplo brazuca, que posso citar é a rede de supermercados Bompreço, aqui de Pernambuco: o dono, sabendo que a localização era fundamental para seu sucesso, sempre se preocupou em comprar terrenos para instalar suas lojas e terrenos em volta para impedir – ou dificultar – o surgimento de concorrentes.

Pg.37, 2º§ e 3º§ (destaques FSR): a desordem comum entre intelectuais é confundir o profundo conhecimento especial que tem – que parece ser muito – com o conhecimento geral total da sociedade. Possivelmente por acharem que por saberem muito mais que o cidadão comum sobre um determinado assunto, eles se tornam semideuses capazes de solucionar qualquer problema simplesmente por supostamente serem mais entendidos em um conhecimento obscuro de uma fração do que pomposamente chamam de Ciência (que nada mais é que um recorte do mundo real, com sérias limitações para realizar um estudo profundo sobre um aspecto específico de toda realidade).

Pg.41, 2º§ e 3º§: Esse mesmo tipo de intelectual, citado na nota acima, imagina que o conhecimento concentrado em si o torna capaz de concentrar também poder sobre a sociedade à sua volta. Essa autoimagem pretenciosa leva o semideus intelectual a acreditar que existe uma quantidade específica de conhecimento que pode tornar uma pessoa capaz de achar resposta para tudo! E, claro, essa quantidade é exatamente a mesma que ele tem. Veja que coincidência, não? O grifo de FSR, no final da página, resume tudo o que aqui foi dito. Um último destaque: no parágrafo final (indo até a 3ª linha da pg.42), parece que vemos a descrição do intelectual brazuca financiado pelo Governo para executar projetos e pesquisas cujo único resultado efetivo na realidade é se tornar um volume encadernado pesando em uma estante de biblioteca para acumular poeira ou servir de martírio literário para quem for lê-lo.

Pg.43, 3º§: ainda tratando dessa prepotência de alguns intelectuais, vê-se outro exemplo da suposta capacidade sobrenatural desses eleitos em apresentar soluções baseadas em uma compreensão geral sobre o tema e, caso confrontado com as dificuldades e experiências do mundo real, este mesmo intelectual irá responder que essas contestações são preconceituosas, estereotipadas, ou qualquer outro termo que só tem como objetivo dizer que o outro é burro demais para entender o problema como ele entendeu.

Pg.45, 2º§: mais outro exemplo do mal gerado por intelectuais presunçosos. O trecho grifado por FSR destaca um escritor contemporâneo que resolveu taxar o poeta romano Cícero como preconceituoso ou racista por conta de um comentário sobre a má qualidade de escravos britânicos em sua época. Em momento algum, o escritor parou para pensar o tamanho da discrepância entre a civilizada Roma antiga e o amontoado de tribos pouco organizadas que era a Britânia naquele período. O que levaria um escravo britânico a não entender nada do que acontece em Roma.

Pg.46,4º§ e pg.47,1º§: os grifos de FSR destacam que não é só a distância no tempo (séculos, no caso acima) que poderia justificar a arrogância do intelectual. O caso nas páginas citadas nesta nota (que começa no final da pg.45) é de um caso ocorrido em 2006, onde a intelligentsia (grupo de intelectuais mais ocupados em se acharem gostosões do que em saber o que acontece no mundo real), leu uma manchete de jornal (o estupro de uma jovem negra de um time de lacrosse), e daí concluíram tudo: os rapazes do time de lacrosse estupraram essa jovem, que era negra. Porém, quando uma outra jovem, também negra, saiu em defesa dos rapazes, essa guria foi presenteada com mimos como “ignorante insensível”, “imbecil”, “estupida e mimada”. Nesse caso, bastou uma pequena distância geográfica (de alguns quilômetros), para a intelligentsia ignorar circunstâncias locais e testemunhos de pessoas que conheciam diretamente os acusados. Simplesmente porque tais testemunhos não se encaixavam com o padrão definido dentro da cabeça dos semideuses olimpianos conhecedores de todo o saber que importa.

Pg.59, 2º§: FSR grifou o trecho que pode muito bem descrever a imprensa atual brazuca. Que ao invés de utilizar suas habilidades para coletar e transmitir informações ao público de maneira responsável e clara, prefere filtrar e manipular as informações que julga pertinente, de uma maneira bem particular, buscando extrair uma reação de acordo com a visão de mundo bem próxima ao que dita a intelligentsia.

Pg.59,3º§ (+1º§, pg.60): aqui o autor aponta o perigo da doutrinação de professores em salas de aula que moldam, de acordo com seus interesses, o que é ensinado – e não de acordo com a verdade dos fatos. O mesmo ocorre com líderes religiosos que pregam uma teologia da libertação (que é uma heresia), que subverte os ensinamentos originais para adequar à uma ideologia atual. Ou ainda a ganância de militares que depõem governos civis para implantar ditaduras sob seu comando. Todos eles são exemplos de pessoas que não detém o conhecimento especializado para fazer o que fazem, ou ainda mesmo, a competência para fazer o que dizem ser os melhores no assunto.

Capítulo 3 – Os Intelectuais e a Ciência Econômica

Pg.78, 1º§ (começa no final da pg.77): um insight interessante sobre programas de distribuição de renda, que ignoram uma questão simples: ao se distribuir renda, alguém que produziu a grana que será distribuída, foi privado por terceiros de fazer uso como melhor entende do que suou para conseguir (não estou considerando que criminosos recolham impostos de todos os seus rendimentos, por uma arbitrariedade excêntrica da minha cabeça de maluco). Mas essa consideração é importante para se avaliar o duplo limite que um governo deveria se impor: evitar distribuir dinheiro demais para os assistidos, pois para tal terá que subtrair mais dinheiro de quem o produz e poderia usar o mesmo para movimentar a economia.

Pg.82, 2º§: neste trecho, FSR destaca que a realidade nos EUA (não sei dizer como é aqui no Brasil) é que os bairros de baixa renda, ao contrário do que pensa a intelligentsia, por conta dessa circunstância, oferece produtos com preços menores, lucrando com o volume e não com a margem individual de cada produto. O motivo é auto evidente, pois preços mais caros significaria que ninguém naqueles bairros poderia pagar, e o empreendimento iria à falência!

Pg.84, 1º§ e 2º§ (o caso inteiro começa na pg.82,2º§): a situação no livro: o governo impôs por uma nova lei, a cobrança de juros baixos para todo tipo de empréstimo. Antes, os juros variavam de acordo com as circunstâncias, permitindo que pequenos empréstimos tivessem juto maior, mas com bem menos burocracia. A mudança levou a destruição de um modelo econômico que parecia injusto para a intelligentsia, mas que era perfeitamente aceitável (e funcional) para as pessoas de baixa renda, pois permitia uma rede de pequenas empresas que faziam pequenos empréstimos com pouca burocracia, e que ajudava de fato aquelas pessoas. Porém, para a intelligentsia, o que importava era a ideia fixa de que juros baixos sempre é bom. Na realidade, para a situação descrita no livro, os juros altos garantiam um tipo de negócio que sustentava e satisfazia uma parcela pobre da população.

Pg.86,2º§: aqui se vê um incrível exemplo da picaretagem da intelligentsia: “o capitalismo gerou pobreza”. Oras, isso é uma maldade tremenda desse sistema, não? Por que raios povos inteiros escolheram abandonar sua vida quase feudal, ou artesanal, e escolher a miséria e sofrimento do capitalismo? Os historiadores de hoje ignoram solenemente um fato: aquelas pessoas que buscaram o padrão de vida capitalista, escolheram abandonar a vida que tinham antes. Exceto que tenha existido naquela época gerações inteiras em todo o mundo civilizado que eram masoquistas e preferiram sofrer alegremente no capitalismo do que viver no asqueroso conforto anterior, as chances dos historiadores de hoje estarem falando bobagem é gigantesca.

Pg.94, 3º§: entender que um fabricante de qualquer produto define seu limite de produção não pelo limite de seus recursos (ou fatores de produção), e sim pelo limite de recursos de toda a sua comunidade – que tem outras coisas para produzir também. É algo que escapa da intelligentsia (que ignora Economia). Um exemplo básico sobre economia é: imagine duas comunidades, cada uma totalmente dedicada a produção de um único item. A 1ª. cria gado para produção de leite (e derivados), a outra, cultiva trigo. Ambas, por conta dessa especialização, produzem mais do que precisam; e assim fazem comércio entre as duas. A 1ª. vende pão para a 2ª. Desse jeito, todo mundo pode comer no café da manhã pão com manteiga e um copo de leite. Mas se as duas resolvem ocupar a área de produção da outra, pois tem capacidade de produzir mais e aquele recurso (terreno) está inutilizado para os padrões individuais de cada uma; a confusão gerada irá reduzir a quantidade de pão e a quantidade de manteiga (e leite). Mas o intelequitual (só dessa vez fiz a piada) de cada lado irá defender que cada comunidade tinha o direito de expandir ao máximo sua capacidade de produção…

Pg.95, 1º§: como destacado e comentado por FSR, Marx e Engels (reais), discordam de… Marx e Engels (da intelligentsia)! Sabe aquela ideia de economia planejada? Com preços controlados pelo governo para evitar a mais valia do empresário malvado? Pois é… os dois profetas do comunismo sabiam muito bem que essa é uma ideia de jerico que não tem sentido algum. Contudo, o fetiche controlador de alguns economistas que acreditam saber de tudo, vêem o controle de preços (seja por tabelamento, ou planejamento efetivo) como a melhor saída para a sociedade. Bem, gentil leitora, querido leitor; se você é do meu tempo, irá se lembrar do que aconteceu quando o presidente Sarney congelou os preços e com o passar do tempo os produtos sumiam das prateleiras dos supermercados.

Pg.97, 2º§ e 3º§: nestes trechos começa a aparecer o que se mostrará como regra no comportamento da intelligentsia: celebrar a tomada de decisões coletivas por parte de terceiros que ignoram, ou passam por cima, do conhecimento real sobre um assunto, em nome de uma suposta superioridade. Isso traz consequências econômicas nefastas que não se voltam contra quem as tomou, que seguem fazendo cara de paisagem como se nada tivessem a ver com o assunto.

Pg.97, 4º§: todo destaque e comentário de FSR não é suficiente para demonstrar o quanto o Brasil, de maneira quase unanime, acredita no que está descrito ali. É o 2+2=4 da Economia para o brasileiro. Ou seja, o pensamento que se alguém consegue algum centavo de ganho, foi porque um outro coitado perdeu aquele mesmo centavo. A riqueza dentro de uma economia (país, se for melhor para entender) é um número já fechado, ninguém pode ter mais, sem que outro passe a ter menos. Essa é uma maluquice que a turma do bitcoin parece estar vacinada.

Pg.99, 2º§: aqui está uma boa explicação sobre o preço que a sociedade paga ao estabelecer regras especiais (ou artificiais) impondo limites ou regulamentação de preços. Infelizmente esse controle externo da economia, termina atrapalhando o equilíbrio do mercado. Mesmo assim, cabe ressaltar um detalhe para a realidade brazuca. O salário percebido pelo empregado não é efetivamente o mesmo salário pago pelo empregador. Os encargos sociais e impostos sobre a folha, aumentam os custos de tal forma que salários podem custar o dobro do que é pago, ou até, mais que o dobro – em alguns poucos casos. Por isso, qualquer aumento nos salários com o objetivo de premiar o funcionário tem que ser pensado com calma, pois o valor efetivamente pago é o dobro. Já que metade vai para o funcionário esforçado, e a outra metade segue para o governo.

Pg.104,1º§: é engraçado ter que fazer alertas evidentes como esse. Pode parecer libertário ou anarco-capitalista, mas na verdade é só bom senso: não existe uma instituição concreta chamada “sociedade”. E planejamento social nada mais é que um grupo definindo regras que ignoram os planos e arranjos particulares de milhões de pessoas. Isso deve ser sempre mantido sob perspectiva por quem governa, para que se pergunte: estou atrapalhando demais a vida de todo mundo com essa ideia ou projeto de lei?

Pg.104, 2º§: o erro de Rousseau, e que é repetido pelo brazuca, é que o governo se comporta diferente de qualquer tomador de decisão no mercado (do grande empresário até o gerente de setor em uma pequena filial da empresa): o seu erro pode custar dinheiro, ou todo o negócio. Para o governo, eventuais erros podem ser escondidos com lábia, ou colocado debaixo do tapete até passar a eleição. Depois, o tempo ajuda a esquecer. Ou seja, para políticos, não há consequência real na sua própria vida – só em casos raros.

Pg.112, 3º§ e pg113, 1º§ e 2º§: uma boa explicação sobre a retórica (malandra) da economia com fixação de preços e sua falha fundamental: quem controla os preços são os grandes produtores. Porém, isso é ignorar a capacidade de ação de um novo produtor, com atuação em vendas que permita entregar o mesmo produto com menor preço e qualidade semelhante (digo semelhante porque é possível que o cliente final não perceba, ou não se importe, com uma eventual pequena redução de qualidade). De toda forma, não basta controlar o mercado com um truste (um cartel de empresas que regula a oferta e o preço de um produto para o mercado), seria preciso também bloquear esse mesmo mercado para entrada de novos competidores – o que é quase impossível, já que o novo concorrente pode fornecer algo que ainda não existe.

Pg.115, 2º§: o destaque de FSR mostra duas coisas: a) mais um exemplo de picaretagem histórica por conta de pura ideologia (e sim, por culpa da intelligentsia), e b) uma evidência clara de que não existe essa conversa mole de que riqueza não se cria, ou, se alguém ganha mais dinheiro, outro inevitavelmente perdeu ou ganhou menos. Rockfeller, ao produzir gasolina, e vendê-la por preços baixos,  efetivamente criou riqueza para si reduzindo o gasto individual para poder aumentar a quantidade de clientes possíveis. A pergunta de FSR no rodapé da página (o aumento da fortuna do empresário torna pior a vida dos consumidores?) é quase retórica, se não fosse pelos casos reais de estelionatários disfarçados de empresários, lesando consumidores.

Pg.118, 2º§: aqui FSR destacou algo importante: acredito que não estou sozinho em dizer que também via a Grande Depressão como uma falha do capitalismo (o que me lembra agora, uma hipótese – ou teoria – de que o capitalismo é uma sucessão de altos e baixos). Enquanto na verdade, o livro irá mostrar que na verdade, a longa duração da Depressão se deu por conta da intervenção do Governo (que foi algo bem parecido com o modelo econômico defendido por Keynes).

Pg.118, 3º§ (e pg.119, 1º§): primeira evidência do que avisado acima: o desemprego alto durante a Grande Depressão ocorreu não ANTES da intervenção do Governo, mas DEPOIS!

Pg.119, 3º§ (e pg.120, 1º§): aqui, uma explicação um pouco mais detalhada de como se deu esse estouro nos desempregos. E já adiantando um pequeno spoiler do que vem adiante no livro: essa situação vem a se repetir no final do século passado, e o então presidente Reagan, atuou contra o que dizia a intelligentsia da época. Imagine aí o resultado e verá que neste mesmo capítulo do livro se imaginou certo.

Capítulo 4 – Os Intelectuais e as Visões da Sociedade

Pg.126, 3º§: e aqui FSR destaca o perfil do intelectual ungido (a intelligentsia!). Essa turma não só se considera uma elite com um saber transcendental de iluminado pela Razão. Eles se veem como uma elite escolhida para a missão de guiar a humanidade. Eles são Moisés! (mas sem a humildade, o cajado e, sobretudo, sem a gagueira).

Pg.127, 2º§: o grifo de FSR destaca uma consequência do perfil apontado na observação acima: se a intelligentsia é tão incrível, claro está que ela é capaz de apontar o mal na sociedade. E esse mal, obviamente, é algo intelectual e moral (área de atuação da intelligentsia). Nem preciso dizer que os “Eleitos pela Razão” são os únicos capazes de mostrar o caminho, certo?

Pg.128, 3º§: evidente que um contraponto à intelligentsia existe. Nos grifos de FSR, vê-se que Sowell chama esse contraponto como visão trágica. E não me parece coincidência essa visão lembrar bastante a visão conservadora do mundo. A citação à Tucídides, historiador ateniense que escreveu um detalhado relato sobre a Guerra do Peloponeso, demonstra o quanto ignoramos o passado. Também é importante dizer que Tucídides foi muito prudente na sua descrição da Guerra. Ele só escrevia o que tinha efetivamente visto com os próprios olhos ou descrições validadas diversas vezes entre vários narradores distintos (e dando descontos sérios, pois ele imaginava que esses testemunhos poderiam estar influenciados por emoções ou limitações de quem contava).

Pg.130, 2º§: aqui, a visão trágica é mais detalhada. Em linhas gerais ela descreve o mundo feito por regras que buscam conter o impulso humano, em nome de um bem comum maior. E tais regras, em si, causam certo mal. Ou seja, é através da constante negociação entre esses dois aspectos (impulso humano e regras de convívio social) que se busca a melhor condição. A fonte para a solução desse conflito está na sabedoria que nasce da experiência, da tentativa e erro (que pode vir de qualquer um, e não só de uma elite superior). E tão importante quanto: é a experiência no tempo das normas criadas é que se aprende se tal solução é válida. Tudo é gradual, nada deve ser feito de maneira brusca ou seja implantado largamente para depois ver se serve.

Pg.131, 1º§: FSR destaca a síntese do autor, que é bem melhor para fixar na mente. O curioso é o seguinte: a visão trágica se inspira no que há de melhor (reconhecendo o esforço para manter), enquanto os intelectuais ungidos (intelligentsia) enfatizam as falhas e desgraças, como para nos assustar e querer que eles nos mostrem o caminho correto.

Pg132, 2º§: bem, uma vez descrito como cada grupo vê o mundo, FSR grifa como o integrante padrão de cada um dos dois grupos citados acima se enxerga. O adepto da visão trágica reconhece ideias maiores que si, e ao acreditar nelas, ele se enfileira como mais um defensor. Do outro lado, na intelligentsia, o intelectual ungido, olha para si mesmo como um campeão de ideias de um mundo melhor, algo transcendental ao mundo real. Por essa visão especial, ele é o escolhido para defender todos os injustiçados e oprimidos. Seus objetivos são em escala mundial! Afinal, ele está aqui para salvar o mundo inteiro. Não sei se você lembra de um CB que trata exatamente de duas visões: uma em que se foca no indivíduo e no que cada um pode fazer (a pedra no lago), e a outra visão, mais ampla, que prefere dar atenção aos grandes problemas mundiais, aos males que atingem milhões de pessoas… Percebe a relação ao que Luciano comentou nesse CB (que acho que tratava sobre as diferenças entre Esquerda e Direita) e ao que Sowell descreve no livro?

Pg.133, 2º§ e 3º§: aqui está o comportamento corriqueiro na intelligentsia, durante discussões: o uso de argumentos desprovidos de provas que atestem o que é dito. Se o outro lado pede as provas ou aponta que as evidencias no mundo real provam o contrário. A saída do intelectual ungido é dizer que seu interlocutor está sendo simplista, ou é pueril. FSR também grifou outro trecho, onde mostra como funciona o truque da humilhação disfarçada: quando o intelectual ungido aponta o outro como ingênuo, ou outro termo depreciativo, automaticamente ele se coloca como alguém superior. Logo, a plateia, vai preferir ficar do lado do sabichão – mesmo não entendendo nada. Quer ver mais exemplos disso? Procure o filme “Obrigado por Fumar”, ou um vídeo do Olavo de Carvalho onde expõe que aqui no Brasil, declarar ignorância sobre um assunto é sinal de autoridade intelectual (basta falar com pompa e peito estufado de pombo).

Pg.135, 2º§ (5 primeiras linhas): aqui destaco como a intelligentsia pode seguir com a acusação de argumentação simplista daqueles que discordam dela. O truque é expandir indefinidamente a questão. Acrescentar mais variáveis, aumentar o universo de dados que deveriam ser considerados – para insinuar que o resultado seria outro, mais precisamente o que ele, ungido, disse – ou ainda, forçar o outro lado reconhecer que não saberia informar qual seria o resultado caso essa expansão fosse considerada. Feito isso, o intelectual ungido já estufa o peito e sai andando como um pombo (um animal que, por ser o que é, também é conhecido como rato de asas).

Pg.138, 1º§: o destaque de FSR foca no ego do intelectual ungido. Uma vez que esse tipo de intelectual defende ideias e conceitos abstratos, tais ideias e conceitos são, na verdade, ele próprio! Pois essa visão idealizada é, de certa forma, a alma dele. O que faz sentido, se o intelectual ungido é uma pessoa melhore, é claro que o mundo que ele imagina é melhor também! (tem uma falha lógica evidente, mas intelectual ungido não é muito chegado à lógica).

Pg.141, 1º§ e 2º§ (grifos): FSR destacou o perfil de comportamento, seguido de um exemplo real onde a visão da intelligentsia e a visão trágica divergem. Enquanto a intelligentsia defende ideias que parecem soar magnânimas e elevadas, em oposição aos seguidores da visão trágica, que percebem os riscos de mudanças bruscas sem considerar a tradição. O momento da conversão do discurso para ação demonstra que os conservadores (visão trágica) ajudam mais que a intelligentsia, que parece falar mais que agir. (ok, admito que ficou parcial. Mas eu tenho uma desculpa: eu sou conservador! Heheheh). Ah, importante! Nos EUA, o conceito de “liberal” é diferente do que nós brazucas (e o resto do Ocidente) entendemos. Nos EUA, ser liberal, é ser de esquerda, ou socialista, se preferir.

Pg.145, 2º§: FSR foi na mosca aqui. A síntese da frase “Se alguém goza de um direito é porque outro alguém sofre uma obrigação” é algo que escapa COMPLETAMENTE do brazuca comum, e de boa parte do mundo ocidental. A consequência disso é exemplificada no restante do parágrafo, que mostra que quanto mais direitos individuais, mais o Estado (ou Governo) tem justificativa para inchar (e cobrar em impostos para isso). Cito aqui um trecho do filme O Jardim das Aflições, onde Olavo de Carvalho diz o mesmo que Sowell e atesta: quanto mais direitos exigimos através das leis, menos livres nos tornamos, pois deixamos o Estado nos controlar para garantir tais direitos (que não são atendidos completamente mesmo assim). Uma síntese melhor, também dita pelo Olavo: todo novo direito que um indivíduo recebe, é uma obrigação para um terceiro, que terá que atendê-lo.

Pg.149, 2º§ e 3º§: nos grifos de FSR percebe-se que a esquerda, por conta de sua forma coletivista de tomar decisões (assembleias, reuniões, etc.), cria uma união entre seus membros, não importando se nesse mesmo grupo junta comunistas revolucionários até sociais-democratas. Isso é completamente diferente da heterogeneidade da direita, fragmentada por excelência (por conta do foco no indivíduo). A intelligentsia entra na dança tentando enfileirar todos como um espectro que parte da extrema esquerda, seguindo até os moderados de centro e terminando nos fascistas, lá na extrema direita. Pra variar, essa visão está errada. FSR observa: o fascismo não pode ser o extremo da direita, por exemplo, pois ela está mais próxima da extrema esquerda, já que ambos defendem um Estado grande e forte. Talvez ocorra a você pensar no modelo da ferradura – que só funciona se você insistir em classificar os movimentos totalitários como direitistas. Por quê vejo como um erro? Simples. A direita prefere um Estado cada vez menor (o Estado Mínimo). Como é possível que a visão mais extrema dessa ideia seja justamente inverter tudo e preferir um grande e poderoso Estado? Na verdade, o extremo da Direita seria, talvez, a Anarquia.

Pg.150, 2º§: outro detalhe que Sowell mostra neste trecho é sobre o erro na classificação do fascismo (que FSR destacou): o comunismo é o socialismo com vocação internacional e métodos totalitários. O fascismo é feito por métodos totalitários e vocação nacional! Recentemente houve uma troca de posts no Facebook entre os jornalistas Marcelo Rubem Paiva e Rachel Sheherazade, sobre as semelhanças entre o PT e o partido nazista alemão. A âncora do SBT aponta dados esclarecedores. Ou escute o Guten Morgen nº 38 – O nazismo era “de direita”?

Pg.151, 1º§:  FSR destaca que a diferença entre o fascismo e o socialismo se dá, por exemplo, na apropriação dos meios de produção (mais efetivo no socialismo) e o caráter internacional (que é oposto ao fascismo, que é nacional). Perceba que essas duas diferenças não mudam um fator fundamental que é comum aos dois: Estado grande e forte (preenchidos por uma elite política). Um comentário a mais: é curioso como o Socialismo se adapta e muda para continuar vivo. Lenin via o movimento revolucionário como internacional. Stálin, seu sucessor, agiu de maneira contrária (socialismo em uma nação). E antes que se diga que os dois (Lenin e Stálin) eram adversários, aviso que Stálin era braço direito de Lenin. Também é importante destacar que o Comunismo não é um sistema de governo, ou econômico. É na verdade uma cultura, uma visão de mundo que sempre sacrifica o presente em nome de um futuro que não é alcançado nunca.

Pg.152, 3º§ (a partir da linha 8) a pg.153, 1º§: perceba a semelhança entre o programa fascista (Itália e Alemanha), e os objetivos da esquerda brazuca de hoje. Ou melhor, o que a burritsia (a nossa intelligentsia, que merece esse apelido carinhoso meu) defende desde Getúlio Vargas: i) controle governamental sobre salários e horas de trabalho, ii) impostos mais altos sobre ricos, iii) limites sobre os lucros definido pelo Governo, iv) controle governamental sobre o cuidado com os idosos, v) esvaziamento do papel da religião e da família nas decisões pessoais e sociais, vi) estabelecimento de métodos de Engenharia Social para alterar a natureza das pessoas, geralmente desde a primeira infância. Você ouviu um sino tocando toda vez que lia um dos itens? Ou somente eu ouço?

Pg.157, 3º§: neste parágrafo, com a segunda metade grifada por FSR, vê-se a descrição sobre o livre mercado. Ou melhor, sobre as motivações de grupos que se organizam dentro de um sistema de livre mercado. Os interesses e objetivos são definidos pelo grupo, que sabem claramente o que querem e podem avaliar as condições e buscar o equilíbrio entre as partes; diferente da visão da intelligentsia que prefere a interferência de terceiros, que possuem ideias abstratas que equalizam tudo em um nível muito mais “amplo”.

Pg.158,1º§: sobre os “terceiros” citados na nota acima, Sowell utiliza o exemplo do lema de Mussolini: “Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado”. Se tudo está no Estado, precisa de muita gente pra tomar conta e fiscalizar, não é? Consequentemente, mais impostos sobre o povo para sustentar tanta gente que garante nossos direitos tão bacanas. Outro ponto: a esquerda prefere ser discreta (senão pega mal pra imagem…), preferindo não deixar claros os limites entre a atuação individual e a sua atuação. Dessa forma, sem uma fronteira marcada, fica fácil seguir invadindo o terreno do outro.

Pg.158, 2º§: como FSR grifou, a esquerda (seja ela totalitária ou democrática) se apresenta como defensora de termos como “povo”, “trabalhadores” e “massas”, e por ter esse papel, ela mesma toma decisões por eles (afinal, a intelligentsia não é composta por “Eleitos da Razão”?), deixando na verdade esse “povo” chupando o dedo, sem poder decidir de fato coisa alguma.

Pg.159, 2º§: no destaque de FSR pode-se perceber uma análise bem comum nos dias de hoje, mas que parece para muitos um tanto absurda: Rousseau, Marx e Bernard Shaw, todos eles viam o povo como um grupo de valorosos só quando eles concordam com a visão de mundo particular de cada um deles. Quando esse povo discorda desses iluminados, termos graciosos como “lixo” e “estúpidos” são o que se escuta de todos. O que me lembra: Marilena Chauí em sua ponderada avaliação da classe média nacional “eu odeeeeeiiiiooooo a classe mééédiaaa!”

Pg.163, 1º§: FSR grifa neste parágrafo a consequência da arrogância e presunção de grandes ditadores de origem revolucionária (bem próxima da visão da intelligentsia): tanto Hitler, Pol Pot, Stálin e Mao acreditavam numa suposta superioridade mental própria que superaria qualquer conhecimento das pessoas comuns. O resultado foi a tragédia para seus respectivos liderados.

Pg.164, 1º§: para variar um pouco vejamos exemplos do outro lado. FSR destaca dois intelectuais que seguem a visão trágica (não por acaso, ambos conservadores em sua época). Edmund Burke e Adam Smith, ambos ingleses e defensores tanto da independência dos EUA como do fim da escravidão, ambos eram minoria absoluta na defesa dessas ideias, mas isso não impediu Burke de montar um plano para preparar os escravos para viver em liberdade e Smith não só combatia a escravidão como tinha desprezo a teoria comum na época de que os negros eram inferiores aos brancos. Minha impressão pessoal: ambos intelectuais eram influenciados pela moral cristã, e cabe aqui uns dados sobre Adam Smith que poucos conhecem: Professor de Filosofia Moral, autor do livro Teoria dos Sentimentos Morais (anterior ao Riqueza das Nações), que gira em torno dos seguintes conceitos: simpatia, mérito, justiça, beneficência, conduta, senso de dever, sentimento de aprovação e sistemas de filosofia moral. Vale a pena repensar sobre a base do famoso conceito de mão invisível do mercado do livro mais famoso de Smith, não? (motivo: minha campanha pessoal de um livro que tenho aqui na fila de leitura, hehehe). Em tempo, José Bonifácio, também conservador brazuca, era contra a escravidão e agiu pessoalmente contra ela. Primeiro libertando seus escravos e os ensinando a ganhar dinheiro, e depois propondo um projeto para libertação gradual de todos escravos, com a devida capacitação dos libertos para não serem um estorvo econômico para o reino/império.

Pg.165, 1º§: agora, FSR grifa mais um truque retórico para estigmatizar um adversário reacionário: “basta simplesmente proclamar-se favorável à ‘mudança’, rotulando os que discordam dos defensores do status quo. Temos mais um exemplo de argumentos sem prova”. O problema é que a visão do que é conservadorismo é de que seja a preservação de absolutamente tudo como está, ou pior, a volta do que era antigo e atrasado.

Pg.166, 2º§: FSR acrescenta seu próprio comentário ao trecho grifado, que mostra um comportamento comum da intelligentsia: se uma mudança que não se enquadrar no escopo da visão do ungido, nunca será agraciada com a honra de ser reconhecida como tal. Diz FSR: temos aqui o Uber de nosso tempo, que apesar de aliviar o custo de transporte para milhares de pessoas e oferecer trabalho a outros tantos, não é incentivado pela intelligentsia. (acrescento: na verdade, a burritsia preferiu promover o enquadramento dos motoristas na CLT… quão revolucionário e prafrentex dessa turma!)

Pg.166, 3º§: Sowell dá um exemplo desconcertante: a década de 1920 (anterior ao Crash da Bolsa) trouxe diversas mudanças e inovações para o povo americano que deveria ser uma década celebrada pelo seu brilho e prosperidade. Porém, todo esse avanço não aconteceu sob orientação da intelligentsia e sua visão especial de mundo. Logo, foi esquecida pela História e enterrada pela tragédia ocorrida no último ano dessa década. Pessoalmente fico pensando se o mesmo ocorreu aqui no Brasil ao se ignorar o período do Império.

Pg.169, 2º§: FSR destaca a visão de Sowell sobre as leis que tratam de “salário digno”, ou para acabar com duras condições de trabalho. O autor aponta que há muito esforço para criar várias soluções, sem dedicar um minuto de atenção que seja para avaliar o resultado efetivo das inúmeras ideias lançadas e implantadas pelo mundo.

Pg.171, 2º§ (8 últimas linhas) e pg.172, 1º§: outro exemplo de Sowell. Agora em escolas para negros que tiveram ótimo desempenho. Uma investigação para entender o que houve e em seguida buscar aplicar o que lá foi feito nas demais escolas com mau desempenho é algo que não parece interessar a intelligentsia – que prefere focar em divulgar os erros e péssimos resultados. Talvez, o motivo para essa conduta é que fazer isso é perder a chance da intelligentsia se colocar como os anjos defensores do mal.

Pg.173, 3º§: neste parágrafo pode-se mais uma vez ver a diferença de atitude entre a intelligentsia e os intelectuais de visão trágica. Os primeiros focam numa fé cega em um futuro brilhante e inalcançável (a crença do progressismo que estamos numa caminhada ascendente até um momento utópico onde tudo será bom, belo e justo); já o segundo grupo – o conservador – prefere buscar a sabedoria nos antepassados, buscando ver onde houve acerto e como corrigir os erros, com calma e cuidado.

Pg.175, 2º§: FSR grifa exemplos de doutrinação no estilo: os jovens são o futuro! Por exemplo, William Godwin, inglês do séc. XVIII, pregava o seguinte “[os jovens] são uma espécie de matéria-prima colocada em nossas mãos”, No século XX, Woodrow Wilson, presidente dos EUA durante a I Guerra, dizia, quando ainda era administrador acadêmico: “Sonhava em tornar aqueles jovens da nova geração em pessoas muito diferentes de seus pais”. Ou seja, cabia à intelligentsia moldar a personalidade dos jovens, não importando os valores que as famílias dos mesmos achassem melhor ou não.

Pg.176, 1º§: dando mais atenção ao 2º grifo de FSR, vê-se o comportamento comum da burritsia (só lembrando: burritsia = intelligentsia brasileira) na condução de estudos acadêmicos da área de Humanas. Qual seja: poucos, ou nenhum, desses estudos analisam visões conflitantes ou mesmo comparam evidencias conflitantes, focando em confirmar visões já definidas na mente do elaborador do estudo.

Pg.177, 2º§: o grifo de FSR aponta um exemplo de padrões móveis, comum na intelligentsia, e uma possível tendência contra as instituições que defendem a ordem, como a polícia. Por favor, perceba: o papel da polícia, por exemplo, é defender o cidadão. Se há policiais violentos e/ou corruptos, eles são bandidos de farda que devem ser presos – como qualquer bandido. Destaco isso para evitar a confusão no entendimento da ideia do livro.

Pg.178, 2º§: ao grifar a frase “Mas o conceito de ‘ganância’ quase nunca é aplicado ao governo”, eu tenho a impressão – e concordo! – de que FSR pensou algo como: essa atitude é cálculo da intelligentsia. Pois o governo pode ser tomado pela própria intelligentsia (e junto com isso, o controle sobre o dinheiro). Então vou lá e vejo o documentário O Jardim das Aflições, e o Olavo e explica que foi exatamente esse papel de que para assumir o governo, ANTES era necessário assumir o controle sobre o estamento burocrático, que o PT (ou esquerda, para ser mais correto) fez.

Pg.180, 3º§: neste parágrafo trata-se sobre a maneira de ver o mundo da intelligentsia, que abstrai sobre o conceito de pessoas – criando grupos artificiais e simplistas, tornando sua visão de mundo justificável, ou como descrição da realidade – por mais absurda que pareça.

Pg.181, 2º§: a consequência do que apontei acima está explicada neste parágrafo. Ao criar pessoas de mentira (conceitos abstratos), a desonestidade intelectual está solta para agir, uma vez que essas pessoas inventadas nasceram já com o propósito de explicar a ideia maluca que a própria intelligentsia inventou.

Pg.181, 3º§: aqui, FSR destacou outra consequência da criação de pessoas abstratas pela intelligentsia: descendentes de alemães que viviam fora da Alemanha, que nunca puseram os pés naquele país, foram enviadas “de volta” para um país que era totalmente desconhecido para elas. Mas como eram “alemães”, tinham que viver em seu país. Dane-se a realidade de cada um, construída na cidade que moravam, e laços sociais construídos nos países onde efetivamente nasceram. Nada disso importava, pois na visão da intelligentsia, eram todos alemães. Mesmo não havendo mais identidade com sua origem, mas com o local onde viviam há anos – ou gerações.

Pg.183, 2º§: Mas como esse comportamento absurdo descrito nos dois tópicos acima pode se manter? Afinal, é absurdo ignorar que cada pessoa tem sua própria história, sendo sua ancestralidade algo que pode compor sua vida ou não. FSR grifou o trecho neste parágrafo que mostra o que a intelligentsia faz quando essa obviedade é apontada: grita-se “preconceituoso” e “intolerante”.

Pg.184, 2º§: já que é um erro buscar generalizações e conceitos abstratos para analisar, ou prever, o comportamento de pessoas; e é impossível buscar uma análise individual para um povo, nação, ou moradores de uma região, como se deve analisar? FSR destaca neste parágrafo como o autor aponta a melhor maneira de se avaliar: dadas as condições atuais, o que as pessoas reais podem fazer, e não o potencial do que poderiam fazer (uma abstração).

Pg.186, 2º§ (2ª. metade): como já foi dito antes no livro, e comentado acima, o autor volta ao exemplo simplista (e abstrato) da intelligentsia ao caçar um viés racista para explicar porque negros recebem menos empréstimos que os brancos. É ignorado por completo pela intelligentsia que os filtros realizados são outros completamente distintos, que se a análise fosse séria, mostraria que os brancos que se enquadram também nos critérios de análise de empréstimo dos bancos, também são reprovados. Mas o discurso pseudo-racista cria uma boa imagem para quem fala. E isso é o que importa pra intelligentsia.

Pg.188, 3º§: a conclusão do capítulo resume tudo o que foi exposto: a igualdade empírica não precisa ser demonstrada pela intelligentsia. É o ponto de partida deles. Cabe a quem quiser negar essa verdade universal de araque provar que ela é falsa.

Capítulo 5 – Realidade Paralela na Mídia e no Mundo Acadêmico

Pg.193, 2º§: o grifo de FSR aponta um comportamento já mencionado no capítulo anterior (principalmente por se relacionar com racismo). Só que aqui é a mídia (e isso é muito mais que só a imprensa, inclui também o mercado editorial, cinema, TV, etc.), influenciada pelo mundo acadêmico (habitat natural da intelligentsia), impondo um combate a um suposto preconceito, mascarando a realidade para celebrar as doideiras que passam na cabeça do intelectual ungido. Já que retratar fielmente a miséria desumana em parte da África seria apresentar um estereótipo preconceituoso e depreciativo, algo que a intelligentsia acha feio.

Pgs.194-195: essas páginas descrevem o caso Muggeridge. Trata-se de um escritor britânico que na década de 1930 escreveu sobre o crime hediondo praticado por Stálin, ao impor a fome ao povo ucraniano. Muggeridge teve sua reputação destruída, pois expôs fatos contra a imaginação da intelligentsia. Esta dizia que tudo o que foi reportado pelo escritor era “uma tirada histérica”. Essa verdade histórica, foi escondida naqueles tempos por conta de uma campanha organizada (e financiada pela URSS) de censura e desinformação. Como vários intelectuais ungidos defendiam os ideais revolucionários da URSS, seria impossível que a revolução socialista matasse um país inteiro de fome para garantir a manutenção da revolução. Se você ficou curioso sobre este assunto, pesquise por Holomodor, e irá entender como Stálin matou um país inteiro de fome, sendo esse mesmo país um grande produtor agrícola da URSS (se não for o maior, não tenho certeza).

Pg.196, 1º§: O grifo neste parágrafo é sobre um relato feito por um diplomata britânico, citando o correspondente do New York Times (jornal afamado aqui no Brasil como imparcial, mas que na verdade é alinhado à esquerda) em Moscou. E serve como exemplo de como existia uma campanha de desinformação naquele tempo. Esse mesmo jornalista tinha dois discursos: um para suas matérias de jornal, outro, ao conversar privadamente com autoridades. Segue o trecho do relato: “Duranty acredita ser perfeitamente possível que dez milhões de pessoas tenham morrido direta ou indiretamente por falta de alimentos na União Soviética no ano passado”. Ou seja, temos a desonestidade intelectual do jornalista evidenciada pela desinformação que ele plantava em suas matérias para os leitores, que pode ser exemplificada com um trecho da pg.194, 1º§ deste livro: “não existe fome alguma ou mesmo escassez real de alimentos nem é provável que tal coisa venha a ocorrer”. E Duranty ganhou um Pulitzer (Oscar do jornalismo) por suas matérias sobre a URSS, com a justificativa se ser imparcial, excepcionalmente claro e agudo em seu texto.

Pg.197, 3º§: uma campanha de desinformação pode ser feita de várias maneiras, não é só pela alteração da informação de maneira descarada. Pode-se se fazer muito simplesmente manipulando quais dados serão informados e quais permanecerão ocultos. O grifo de FSR neste parágrafo é um exemplo de como a ocultação de alguns dados pode ser muito útil.

Pg.198, 4º§: FSR destaca que Sowell cita o Brasil (e a Rússia), para mostrar como o controle de informações ajuda em campanhas de desinformação que a mídia realiza para defender a visão de mundo da intelligentsia. Os dois países possuem um controle muito mais rigoroso sobre o porte de armas que os EUA, mesmo assim os índices de homicídio em ambos os países é muito maior do que nos Estados Unidos.

Pg.200, 1º§: o raciocínio da intelligentsia de que menos armas significa menos crimes precisa de base estatísticas. Um recurso apresentado é de que Londres tem um índice de homicídios menor que Nova York. O grifo de FSR destaca é que parece ser ignorado, para justificar o seu raciocínio, a intelligentsia ignora que homicídios também são cometidos sem armas de fogo.

Pg.201, 2º§: aqui, FSR grifa o trecho que fala sobre o poder dos grupos de formação de opinião, que podem se guiar por convicções próprias que não estão necessariamente apoiadas em dados reais.

Pg.201, 3º§: outro exemplo de como estatísticas podem ignorar a realidade: apontar que os negros são mais pobres por conta do racismo é ignorar dados reais que demonstram que há uma mistura de grupos distintos: há casais negros (majoritariamente de mesma cor de pele) e mães solteiras, estas com renda menor por viverem das pensões do governo. Este segundo grupo puxa a média para baixo, dando a impressão de que todos os negros são igualmente pobres.

Pg.202, 1º§: FSR destaca mais um exemplo, bem mais cruel, de como as interpretações da realidade, e visões abstratas do mundo, podem discordar do mundo real.

Pg.204, 1º§: Sowell resume o que todos esses exemplos comprovam: a primeira lealdade dos jornalistas não é para com seu público, e sim para proteger os interesses e a imagem dos grupos que eles representam, alegando que estão na verdade defendendo a “diversidade”.

Pg.206, 2º§: outro truque utilizado pela imprensa é a construção de uma realidade paralela baseada exclusivamente em declarações pontuais de celebridades, que se baseiam na visão de mundo da intelligentsia. Não importa se essa realidade é uma mentira. FSR destacou um exemplo disso com uma declaração do presidente dos EUA Bill Clinton sobre incêndios criminosos em igrejas de negros. O que Clinton falou sobre seu passado era uma mentira completa, mas soava de acordo com o que a intelligentsia pregada. E isso é o que importa.

Pg.208 e 209 (grifos): os trechos marcados por FSR resumem o que foi feito com Herbert Hoover, presidente dos EUA durante o Crash de 1929. A realidade é que Hoover sempre foi um filantropo e incrivelmente competente em seu trabalho humanitário. Mas como sua conduta durante a crise financeira não atendeu ao que a intelligentsia sugeria ser o correto (intervenção governamental), sua imagem foi arruinada. Um termo comum atualmente, e que se encaixa na situação é: assassinato de reputação. Cabe acrescentar: até a pg.213, mais detalhes são apresentados sobre as ações efetivas de Hoover em recuperar os EUA, e a imagem criada pelos jornais e pela intelligentsia – de um personagem frio e alheio ao sofrimento das pessoas.

Pg.214, 2º§ (incluindo notas de rodapé 64 e 65): aqui, FSR destaca um ponto curioso da intelligentsia: para eles, um intelectual não pode ser alguém despretensioso, que é objetivo e não faz firulas em discursos ou ações. Harry Truman era um intelectual desse tipo, por mais que a intelligentsia o tratasse como caipira sem noção, por conta de sempre ser direto e usar termos simples e comuns para se expressar, Truman, ao mesmo tempo, era capaz de corrigir o latim de um colega ou uma citação de algum clássico grego.

Pg.221 e pg 222: estas páginas tratam sobre a imagem criada para Índia, que era positiva e só recentemente vem sendo desconstruída. Minha impressão pessoal é de que essa visão idealizada da cultura indiana ainda é comum no ocidente, escondendo que certos costumes e tradições são maus, ruins mesmo. Dito isto, vem a pergunta que não é retórica mas fica sem resposta fácil: como diferenciar uma tradição ruim de outra boa? A tradição cristã me parece o melhor exemplo de boa tradição, mas como fazer uma outra pessoa criada em outra tradição abraçar/compreender os valores cristãos sem que ela mesma não termine abandonando (ou negligenciando) a sua própria tradição? P.S. na verdade, essa minha própria insegurança (em respeito à tradição do outro) já é algo impensável em outras culturas!

Pg.222, 2º§: segue um exemplo grifado por FSR da brutalidade de uma das tradições indianas: a divisão de castas. Em 2003, a revista National Geographic publicou fotos de homens da casta dos intocáveis mutilados com ácido por terem ousado pescar numa lagoa usada por indianos de castas superiores.

Pg.223, 2º§: aqui, FSR destaca que não é só divulgar (ou ocultar) eventuais brutalidades cometidas em um país que importa. Os casos na Índia são apresentados em relatórios oficiais do governo. O mesmo ocorria na Rússia dos czares do século XVIII. A questão era como os intelectuais abordavam as informações disponíveis. Apresentando uma visão adequada ao seus interesses, e não a valores objetivos, onde o autor da ação não importa, mas o ato em si.

Pg.224, 2º§: nos grifos de FSR, aponta-se um mecanismo da intelligentsia: alterar o significado de palavras e fatos de acordo com seus próprios interesses. Dessa forma, o sentimento que antes deveria ser despertado passa a ser controlado pela intelligentsia. Esse ponto já foi bastante discutido no podcast Guten Morgen (frequentemente discutido na Confraria).

Pg.225, 2º§: outra aplicação do truque mencionado acima também é destacado por FSR. Como a ideia do que é “liberal” nos EUA. Lá, o conceito tem significado completamente diferente no resto do mundo (o Brasil acertou nesse ponto, está com o mundo). Liberal foi associado ao progressismo, às ideias esquerdistas de intervenção do governo na economia. A decorrência, nos dias de hoje é a patetice em dizer que não existe esquerda nos EUA pois os Democratas lá são liberais, e não socialistas. O ponto é justamente esse! Liberal É socialista nos EUA, pois ser honesto e se chamar de socialista ou comunista traria a ruína perante o povo de lá.

Pg.228, 2º§: aqui destaco um fato que é escamoteado, ou usado com malícia pela intelligentsia. A suposta objetividade/neutralidade exigida de qualquer cientista ou intelectual sério. Isso é conversa mole! Não há pessoa imparcial. O que existe, no máximo, é um método científico objetivo, que serve para conter as vontades e desejos do investigador. Na verdade, os métodos científicos são objetivos e rigorosos JUSTAMENTE porque as pessoas que o utilizam não o são! Em tempo, na pg.229, 3º§ FSR faz um grifo que melhor exemplifica o que resumo aqui.

Pg.230, 2º§: ainda no tema citado acima, FSR destaca outro comentário do autor sobre um erro comum dos intelectuais ungidos: fazer sua opinião filtrada dos fatos se passar por análise objetiva que já expôs todos os aspectos e fatos importantes do problema analisado. Ou seja, a intelligentsia finge que uma opinião é uma análise profunda de um especialista. Na pg.231, 1º§ está grifado um exemplo que é a realidade comum aqui no Brasil. Em qualquer lugar, é corriqueiro ver alguém dizer que a verdade é algo parcial, sempre aberta a reinterpretações. Sowell parece ter passado aqui no Brasil e cita as frases comuns dessa turma: “a verdade para mim” e “o que é verdade para você”.

Pg.231, 2º§: já que caímos nessa subjetividade traiçoeira, vemos Sowell expor neste parágrafo a diferença fundamental entre a verdade factual e o consenso construído pela intelligentsia. Por exemplo, a ideia de que a realidade é “socialmente construída”, ou seja, é através do consenso entre a sociedade do que deve ser aceito e é benéfico que se forma a realidade. Claro, que essa construção, para intelligentsia, é algo totalmente pensado. Do outro lado, para aqueles que vivem no mundo real, todo e qualquer hábito é sim construído. Com o tempo. A diferença fundamental: qualquer nova ideia é testada no mundo real, em escala pequena, para avaliar sua utilidade. Se for boa, aos poucos é adotada por outras pessoas, até finalmente se tornar uma realidade para toda a sociedade (espero que isso tenha ficado claro).

Pg.234, 2º§: o conceito exposto por Sowell sobre a importância da postura crítica e atitude dramática para um intelectual, infelizmente, são critérios que não são comuns hoje em dia. Ou seja, um intelectual que se esforça em manter a boa combinação de senso crítico das próprias ideias e saber apresenta-las com habilidade e clareza, “sem parecer bom demais, ou pretensioso” *; geralmente não recebe a atenção devida, ou é difamado, pois seu discurso não apela à simplificações que mais emocionam do que esclarecem. Mais uma vez, cito o podcast Guten Morgen (programa 33, Crise Intelectual e 20, Anatomia da Esquerda). * as aspas são a citação de um trecho do poema Se, de Rudyard Kipling. Não tem relação com o tema do livro, é só lembrança pessoal mesmo. Quer mais? Escute o CB580 e se deleite.

Pg.235, 2º§: neste parágrafo, Sowell trata do senso de superioridade, bem comum entre membros da intelligentsia, que os leva ao erro fatal de generalizar, a partir de sua especialidade de conhecimento, a própria sabedoria. Aqui no Brasil, isso é comum, ao se ver a classe artística (atores, músicos, escritores de romances, humoristas) se aventurarem como profundos conhecedores de Política, Economia, Biologia, etc. entendem que sua notoriedade em seu meio os torna sabedores supremos de qualquer assunto. O pior, o povo, de maneira geral apoia esse comportamento ao pedir opiniões de tais pessoas e concordam com o que quer que seja dito por mais absurdo que seja. Em nenhum momento é explicado como a habilidade em uma parte do conhecimento o tornou capaz de entender e explicar outra parte sem mesmo ter estudado.

Pg.236, 3º§: consequência do que foi citado e dito acima: muitos intelectuais se encantam com a noção de que possuem um conhecimento especial de um tema em comparação com o indivíduo comum. Então eles logo acreditam piamente serem superiores e melhor capacitados para resolver temas que pouco conhecem, ou nada sabem mesmo. Dane-se se o conhecimento mundano é, de fato, o melhor para tratar um problema. Ex.: a quem você pede ajuda para trocar o pneu do seu carro? Um simples borracheiro ou o Leandro Karnal? (lembrança aleatória, sem implicância minha). De todo modo, tenho uma impressão pessoal de que a formação acadêmica superior atual (do final do século passado até hoje) perdeu muito ao focar excessivamente em especializações. Ignorando completamente a ideia original do que é universidade (universo de conhecimentos), para dar ao aluno, desde o começo, conhecimento específico para sua futura profissão. Estamos quase criando escolas técnicas de 3º grau, ao não apresentarmos corretamente conhecimentos importantes para nosso crescimento pessoal. Em contraponto a isso, procure vídeos do prof. Rafael Nogueira sobre José Bonifácio no YouTube e se surpreenda.

Pg.236, 3º§: FSR destaca o resumo que Sowell dá para o assunto: a arrogância do intelectual que se agarra a títulos e honrarias de especialista da rebimboca da parafuseta destra, o torna capaz de resolver problemas que nunca viu, e são encarados todos os dias por pessoas de menos erudição, mas com muita experiência prática real. Isso sem falar na moral dupla da intelligentsia, que só se preocupa com alguns problemas quando os agentes desses problemas são desafetos dos mesmos. Se quem os comete são amigos ou simpáticos a essa mesma intelligentsia, eles são convenientemente esquecidos na hora da denúncia e protesto.

Pg.239, 2º§: ressalva importante do autor: os intelectuais tratados aqui no livro (sejam os trágicos ou os ungidos – estes, a intelligentsia) não são aqueles que lidam fundamentalmente com Matemática, Medicina, Engenharia ou Ciência. Ou seja, estamos falando do pessoal de Humanas (extrema humanas: Sociologia, Filosofia, Letras, etc; e humanas aplicadas: Administração, Marketing, Economia).

Pg.240, 3º§: como citei Economia acima, dá pra conjugar isso com o destaque de FSR neste parágrafo, que aponta como a intelligentsia prefere ignorar a compreensão do que é pobreza quando consideramos tempo e lugar. Por exemplo, o pobre de um país industrializado é visto como prosperidade pela maioria da população em países de Terceiro Mundo, seja ontem ou hoje. É bastante curioso como essa exigência da intelligentsia por melhores resultados agora não se aplica para as metas e objetivos dos governos de esquerda da América do Sul, que já estão por mais de 10 anos no poder e não retiraram seu povo da miséria – mas insistem em apontar o mesmo futuro glorioso de 10 anos atrás.

Pg.241, 2º§: o destaque de FSR merece transcrição: “É difícil, ou mesmo impossível, explicar a disseminada falta de interesse dos intelectuais pela criação de riqueza, os quais ficam eternamente discutindo e lastimando a pobreza”. Pois bem, aqui no Brasil, temos uma resposta para esse comportamento, tiramos da Física: A Lei do Menor Esforço. É mais fácil reclamar e não fazer nada do que se levantar e ajudar resolver o problema.

Pg.242, 2º§: outro ponto é a preguiça da intelligentsia em buscar entender o que realmente aconteceu quando, por exemplo, a pobreza foi reduzida. Nos casos da China e Índia, houve uma redução na pobreza de seus respectivos povos, só que ninguém da intelligentsia resolveu se dedicar em entender como aconteceu, o que foi feito e se isso custou algo ao mesmo povo.

Capítulo 6 – Os Intelectuais e a Justiça

Pois bem, em tempos onde se conhece por nome todos os ministros do STF e não os jogadores da Seleção de futebol, teremos um capítulo interessante aqui. Cabe um destaque: nosso sistema judiciário é diferente do Americano. Aqui, construímos nossas leis pelo Direito Romano. Lá nos EUA, as leis se formam através dos costumes. Ou seja, é a constante jurisprudência de decisões passadas que criam o Direito. Aqui, são os códigos já escritos e previamente planejados.

 

Pg.247, 2º§: fundamentalmente, o juiz deve ser o avaliador imparcial de uma disputa. E suas decisões devem seguir o que determina a lei, e não suas convicções pessoais do que é justo, caridoso ou mais de acordo com a justiça social. E é aí que está o problema: justiça social. Essa é a muleta comum para muitos juízes reinterpretarem leis, buscando corrigir supostos erros ou imprecisões da lei vigente, que não foi criada para a “realidade atual”. Minha dúvida sincera é: esse comportamento é truque calculado? Uma resposta pode vir da leitura deste capítulo.

Pg.248, 2º§: esse parágrafo inteiro parece ter sido escrito para o nosso STF (comentei isso em ago/17), que tomam para si a tarefa de reinterpretar livremente os artigos das leis, criando regras do nada para resolver um problema que eles tem nas mãos. Na verdade, esse perfil pode ser chamado de ativismo jurídico, algo que você já pode ter ouvido por aí. O caso que pode ser lembrado é a absolvição da chapa eleitoral Dilma-Temer por EXCESSO de provas! Deram um jeito sem sentido para dizer que o material que comprovou toda a malandragem deveria ter sido apresentada pelos acusadores em até uma semana após as eleições (o prazo para apresentação de denúncias para a Justiça eleitoral sobre qualquer irregularidade de uma campanha). Os juízes esquecem de comentar que não deve caber a parte ofendida em uma eleição realizar todo o trabalho de investigação, coleta de depoimentos e negociação de eventuais delações; primeiro por isso ser ilegal – pois é tarefa exclusiva da Justiça, seja pela polícia ou pelo Ministério Público.

Pg.249, 1º§: outro recado para o STF: as decisões arbitrárias podem cobrar um preço alto de juízes ativistas. A coerência em si já pode ser dolorosa. Ainda usando como exemplo o caso do julgamento da chapa Dilma-Temer: O processo demorou para ser julgado por conta da decisão do ministro Gilmar Mendes, que pediu mais investigações na época. Agora, no momento da decisão, como as provas atingiam um político aliado do partido que ele tem simpatia (PSDB), o ministro partiu para a absolvição por excesso de provas.

Outro ponto importante: releia o comentário que fiz na abertura deste capítulo, pois a diferença fundamental entre o sistema legal brazuca e americano afeta bastante a compreensão deste e de vários comentários e destaques. Se você é fã de filmes e séries de advogados, deve se lembrar dos personagens resolvendo seus problemas citando outros processos e decisões jurídicas diante do juiz. Isso é diferente aqui. Tais referências, chamadas de jurisprudências, são mais como um conselho, não uma regra – a regra é o artigo da lei, o código (conjunto de leis). Nos EUA, tais decisões são as leis em si.

Pg.249, 2º§: no grifo feito por FSR, ele destaca algo muito importante dito pelo autor. Mesmo com as diferenças de sistemas jurídicos entre Brasil e EUA, o comentário merece o destaque feito.

Pg.251, 1º§: quer um exemplo de pensamento ativista que reforça o comportamento desse tipo de juiz? FSR grifou e comentou no livro muito bem isso. Primeiro a transcrição do grifo: “O professor Ronald Dworkin, da Universidade de Oxford (…) disse, ‘uma sociedade mais igual é uma sociedade melhor, mesmo quando seus cidadãos preferem a desigualdade’”. O comentário de FSR: O que vale é o que ele pensa!

Pg.256, 2º§: neste parágrafo, destacado por FSR, dá pra ver como a intelligentsia se incomoda com a chatice que pode ser a democracia. Afinal, este modelo insiste em igualar esses seres iluminados com simples mortais! Essa turminha insignificante, também chamada de Pais Fundadores, que até hoje se fazem presentes através de uma Constituição Federal (a americana, importante destacar). Para deixar claro: ver os fundadores dos EUA como uma gente ultrapassada e incômoda é algo mais comum na intelligentsia americana do que se pensa. Aqui no Brasil, a maioria adota uma de duas posturas: completa ignorância ou desdém por culpa-los de serem o que a intelligentsia diz que eles são. Ou seja, vivemos em um mundo de fantasia macabro.

Pg.257, 2º§: outro exemplo destacado por FSR da arrogância da intelligentsia. No caso, uma fala de Roscoe Pound, que defendia que cabe aos juízes buscar a justiça social, ignorando a tecnicidade das leis e partindo para uma busca de resultados através da ação judicial. O trecho grifado no livro é uma fala de Pound sobre onde deveria estar a Justiça: “nas mãos de uma casta progressista e esclarecida cujas concepções estão na vanguarda e cuja liderança alça o pensamento popular a níveis superiores”. Não sei você, mas isso me lembra bastante uma turma brazuca famosinha anos atrás, que participava de um grupo chamado “Direito achado na rua”. Uma pesquisa no blog do Reinaldo Azevedo, quando hospedado na Veja, irá esclarecer sobre o assunto.

Pg.259, 1º§ e 2º§ (grifos): aqui cabe uma explicação antes de comentar o destaque de FSR. O cenário relatado nesta página e na anterior é sobre a visão do intelectual (ungido) Louis Brandeis, que defendia o ativismo social e como os juízes deveriam usar essa ferramenta para ultrapassar limitações triviais como a propriedade privada. Nos destaques aqui citados temos Brandeis mostrando como a ciência social estava trazendo nova luz a leis antigas. Os trechos: i) “levantando a questão sobre se o roubo não era, talvez, culpa da comunidade tanto quanto seria do indivíduo” e “Brandeis apontava que os tribunais ‘continuavam a ignorar as necessidades sociais que surgiam nos novos tempos’ e ‘tomados de complacência’, continuavam a aplicar noções obsoletas como ‘a sacralidade da propriedade privada’.

Pg.267, 3º§: aqui temos um exemplo americano de ministro da corte suprema dos EUA que se parece muito com vários membros do nosso STF. No caso, o juiz William O. Douglas, que dava atenção à Constituição americana quando ela concordava com as preferencias ideológicas dele. Quando há discordância, o juiz apela para “emanações vindas das penumbras da Constituição”, e assim interpretar livremente de acordo com suas convicções. Ou seja, tanto lá como aqui, o povo se torna refém do norte moral particular de uma pessoa que pode decidir sobre a vida de muitos, pois uma decisão maluca sobre relativizar a propriedade privada em nome de um suposto bem maior, pode desabrigar famílias para a construção de uma praça ou prédio público.

Pg.275, 3º§: este parágrafo é incrível! Releia umas três vezes! Só posso parafrasear Sowell. As leis foram discutidas e aprovadas por conta do que estava publicamente escrito pelo redator (da lei), e não sobre as motivações do mesmo. Principalmente porque não é só uma pessoa, mas um grupo, que debate explicitamente sobre o que quer dizer com cada frase e ideia em cada artigo, inciso e parágrafo da lei.

Pg.278, 2º§: o grifo feito por FSR merece ser transcrito também, pois Sowell mostra a malandragem por trás do ativismo jurídico. “Por que os juízes teriam o direito de se antecipar a tais decisões e legislar com base em seus próprios e novos conceitos sobre questões sociais, sob o pretexto de estarem interpretando a lei, ao mesmo tempo que caminhavam na direção oposta ao que a lei expressamente diz, é uma questão que nunca é levantada e muito menos respondida”. E eu digo porque não é: pois seria uma admissão de culpa e reconhecimento de que o objetivo é mandar à ordem para o saco.

Pg.279, 4º§ e pg.280, 1º§: mais uma vez aqui a diferença de sistemas legais do Brasil e EUA pode gerar confusão para quem lê. Sowell mostra o mal, para a Justiça americana, em se destruir uma jurisprudência antiga. Enquanto aqui no Brasil, o prejuízo de uma decisão ruim, ou interesseira, é menor. O mal aqui está na publicação de novas leis – ou a alteração das que já existem. Por princípio jurídico, uma nova lei só retroage para beneficiar alguém já condenado, e não para condenar quem praticava algo que não era crime e passou a ser. E como nada é simples, tome-se o caso da insistente tentativa de legalização da maconha. Se um dia isso ocorrer, traficantes de drogas, que foram presos por esse crime, vão demandar primeiro sua soltura, pois o que faziam antes não é mais crime (independente se cometiam outros crimes. A justiça só pode avaliar pelo que o indivíduo foi condenado). Depois, devido as péssimas condições de nossas cadeias, esse mesmo traficante terá todo o direito de pedir uma reparação financeira do Estado pelos danos materiais que o tempo de prisão causou a ele. No fim, teremos um criminoso de volta às ruas, recebendo dinheiro de suas vítimas potenciais (os pagadores de impostos), somente porque o consumo de maconha foi liberado. Basta um só caso conforme meu exemplo para se evidenciar a injustiça de uma decisão mal pensada. Ah, nos EUA, não é necessário mudar uma lei, basta construir uma jurisprudência no Supremo Tribunal deles para lascar tudo.

Pg.282, 3º§: Sowell aqui se refere à Revolução Francesa como um exemplo real do que o ativismo jurídico pode trazer. FSR destacou, possivelmente porque lembrou que em 1790 foi a época do Terror. Período mais sangrento da já sangrenta Revolução Francesa. Na verdade, esse é um ponto que pode gerar confusão por aqui (e derrubar seu disjuntor, querida leitora, caro leitor). A Revolução Francesa na verdade trouxe a desgraça para a França, que naquela época não ia muito bem. E com a Revolução, só piorou. Desde então, a França só tem decaído em importância para o mundo. Claro, os reis absolutistas não eram flor que se cheirasse, mas a França deixou de ser o país mais rico da Europa para se tornar primeiro fonte de terror – aquela brincadeira e cortar cabeças de quem não se ia com a cara – depois se tornou flagelo da Europa (com Napoleão); em seguida deslizar para fonte para piadas sobre como o país só faz perder guerras e se render antes de entrar na disputa. Desculpe-me se não posso ser mais detalhado, se fosse, fugiria do objetivo aqui.

Pg.285, 2º§: outro truque do ativismo jurídico é a inversão do ônus da prova (que é do acusador, por princípio). No grifo de FSR, Sowell relata um caso nos EUA onde uma comissão moveu uma ação de discriminação sexual contra uma empresa, e em sua peça de acusação não havia um exemplo sequer que comprovasse a denúncia. Que se baseava exclusivamente em dados estatísticos. E como já ouvimos no CB, há um livro bacana que mostra que é possível mentir com estatísticas. No caso citado por Sowell, coube a empresa dar seus pulos para provar que não tinha preconceito em suas decisões. O que levou 15 anos e custou US$ 20 milhões.

Pg.292, 3º§: neste parágrafo (que se estende até a próxima página) Sowell alerta sobre como os direitos sobre propriedade foram construídos. A contradição está na tentativa da intelligentsia, através do ativismo jurídico, em criar a visão de que o direito sobre propriedade (pense em propriedade privada para ficar mais claro) é algo não definitivo. Isso abre espaço para as abordagens “sociais” e o que foi duramente conquistado por uma pessoa, passa a ser moeda de troca por apoio político. Veja exemplos do que digo nas páginas e parágrafos seguintes: pg.294, 2º§ e 3º§ e pg.295, 1º§.

Pg.299, 2º§: a intelligentsia não seria ela mesma se não fosse também buscar ela mesma lançar uma nova luz sobre o que faz um criminoso ser quem é. FSR grifa o seguinte “a visão do intelectual ungido esvazia o aspecto punitivo e reforça os aspectos preventivos procurando, em primeiro lugar, as causas sociais que estão ‘na base’ da atividade criminosa e também investindo, por outro lado, na ‘reabilitação’ dos criminosos. Qualquer semelhança com o que ouvimos por aqui no Brasil não deve espantar. Era dito lá nos EUA desde o início do século passado! E nem vale a pena apontar para o absurdo de que a pobreza leva ao crime, essa ideia é tão sem-vergonha quanto mentirosa. Como não dá pra comprovar aqui o que digo, deixo aqui algumas perguntas: com que dinheiro o pobre miserável comprou a arma para começar a assaltar? (ou o aspirante a criminoso já é um asceta capaz de passar meses sem comer para guardar dinheiro para pagar por uma arma?).

Pg.303, 1º§: é começo de outubro/17, quando escrevo isto. Na Confraria está sendo discutido o desarmamento. Sowell, aponta as consequências reais disso, quando aplicado também à força policial. No Reino Unido, a forte campanha desarmamentista, levou ao país criar leis de controle do uso de armas cada vez mais rígidas. O resultado alcançado foi um crescimento cada vez mais rápido em crimes com armas de fogo que até as decisões de desarmar a própria polícia estão sendo revistas.

Pg.304, 3º§: um efeito lateral desse ativismo jurídico são os protestos que pressionam as autoridades. FSR destacou uma situação interessante. Governos mais sensíveis aos protestos tem mais manifestações. Governos que dão pouca importância aos mesmos, terminam desestimulando essa atividade. Por exemplo, no governo Lyndon Johnson houve mais protestos que no governo Reagan.

Pg.305, 2º§: agora, um dado histórico citado por Sowell: durante a segunda metade do século XIX até o início da I Guerra Mundial (surgimento e auge da revolução industrial), a criminalidade violenta caiu (assaltos: 71%, homicídios: 42%). É bastante curioso como uma época retratada pela intelligentsia como de grande injustiça social e crueldade – ou seja, a sociedade, essa desgraçada – foi também o período de menor violência.

Pg.307, 4º§: a arrogância de boa parte da intelligentsia é explicada neste destaque de FSR, onde Sowell diz que ela vem do orgulho dessa turma em perceber que suas preocupações e crenças são diferentes das pessoas comuns. Em momento algum a intelligentsia se questiona sobre a possibilidade de estarem pensando uma baboseira tremenda.

Pg.308, 1º§ e 3º§: exemplos da arrogância acima mencionada são apresentados nestes parágrafos destacados por FSR. No primeiro, é relatada a decepção da intelligentsia com o crescimento da população carcerária nos EUA – para eles, presídios não resolvem o problema da insegurança e violência; mas sim medidas alternativas (já ouvimos isso por aqui, não é?). E quando confrontados com os índices decrescente de criminalidade, ficam surpresos! Imaginando uma coincidência misteriosa e sem relação com o crescimento de número de presos e a redução misteriosa de crimes nas ruas. No terceiro parágrafo, é apontada aquela maluquice de comparar gastos com presídios e universidades – como se educação formal fosse antídoto para criminalidade. (se fosse, não haveria juízes corruptos, advogados criminosos, engenheiros pilantras e por aí vai).

Pg.311, 3º§: como pode haver alguma dúvida sobre o argumento de que presídios não resolvem o problema da violência e criminalidade, Sowell mostra como um dos argumentos apresentados pela intelligentsia é uma falácia. O intelectual ungido irá dizer que é comum a reincidência no crime de presos libertos após o cumprimento da pena. Logo, presídios não resolvem nada – assim dizem. Bom, seguindo esse raciossímio (desculpe o trocadilho, mas a ideia é coisa de macaco mesmo) todo alimento também é ineficiente em resolver o problema da fome (que deveria resolver), pois algumas horas depois, não importa o que eu ou você comemos, estaremos de novo com fome (se for sushi, a fome volta mais rápido).

Pg.314, 2º§: como a intelligentsia não fica contente em só ter ideias fora da realidade, ela também parece gostar de ter ideias que se contradizem entre si. Veja o exemplo deste parágrafo do livro. A ideia de que são as circunstâncias econômicas e sociais que promovem a injustiça, e por isso, o ambiente cultural hostil tende a levar as pessoas dali para a criminalidade. É aquela história de que o homem é bom, e o ambiente é que corrompe. Outra besteira. Pois se assim o fosse, a intelligentsia teria que admitir que a cultura de alguns ambientes são boas e outras são ruins. Logo, as culturas que são ruins deveriam ser reprimidas e excluídas de uma vez por todas. Só que fazer isso é ir contra a outra ideia da intelligentsia: o multiculturalismo! Onde toda e qualquer cultura tem seu valor! Como isso é possível? Por um lado, há culturas que levam o indivíduo para o mal; por outro, toda cultura é boa e merece ser preservada!! Não tem como não lembrar de Olavo de Carvalho e o que ele explica sobre a paralaxe cognitiva.

Capítulo 7 – Os Intelectuais e a Guerra

Pg.318, 2º§ e pg.319, 3º§: uma evidência de que a intelligentsia constrói sua visão de mundo só com ideias e emoções separadas da realidade é a forma como veem as guerras. Eles oscilam de acordo com a memória emocional do que aconteceu em um passado próximo. Um exemplo: nos anos anteriores a I Guerra, o mundo vivia uma longa paz (pequenos conflitos ocorriam, mas não envolviam toda a população. E as guerras de unificação de reinos e países eram vistos como o triunfo de uma nação após suas conclusões). [Chega! Voltando ao assunto!], a intelligentsia naquele período via a guerra como algo edificante, logo apoiou a corrida armamentista e incentivou os jovens ao combate, dizendo que aquilo ia torna-los melhores. Bom, deu no que deu. Após a I Guerra, essa mesma intelligentsia virou de lado como se nunca houvesse dito uma vírgula em favor do belicismo e começou a apoiar irrestritamente a paz a todo custo. Resultado: Stálin ajuda Hitler; e Chamberlain (R.U.) é aclamado como líder mundial por chamar Hitler de “Grande esperança da paz no mundo”.

Pg.320, 1º§: o trecho destacado no parágrafo fala justamente da visão compartilhada por Marx, que não acreditava que uma Grande Guerra viesse a acontecer de fato, pois os soldados iriam negar o combate, pois veriam do outro lado, irmãos trabalhadores, enquanto os oficiais e generais seriam iguais aos patrões exploradores. Uma tontice que não aconteceu. Mesmo assim, é importante dizer que os horrores da I Guerra foram tão tremendos que momentos surpreendentes como a confraternização de natal em diversos pontos de todo o front ocidental desconcertam qualquer análise (favorável ou não ao conflito). Para saber mais sobre o natal de 1914 leia o fabuloso livro A Sagração da Primavera, de Modris Eksteins. O melhor livro que já li sobre guerras! (obs.: Eksteins começa o livro falando de balé russo e faz sentido com o tema!!)

Pg.326, 3º§: aqui tem uma citação de uma fala de Hitler, que mostra o quão funesto ele era: “Tenho que adquirir imortalidade, mesmo que para isso toda a Alemanha pereça no processo”. O que dizer sobre alguém que tem um objetivo desses?

Pg.327, 3º§: INTRODUÇÃO – importante destacar que o presidente dos EUA à época da I Guerra – Woodrow Wilson – era um intelectual renomado. E bastante simpático à intelligentsia (e esta, a ele). Dessa forma, Wilson também via com bons olhos a Guerra. Os EUA no começo do conflito era um grande fornecedor e mediador entre as partes, mas com o tempo decidiu entrar diretamente no conflito, do lado da França, Inglaterra e Rússia. E sim, Wilson, de seu modo, também buscava a imortalidade. E o seu modo, com certeza era mais escrupuloso que o de Hitler (no futuro). Dito isto, vamos para o destaque de FSR: sobre o intelectual apoiador de Wilson, John Dewey (veremos mais desse rapaz adiante): “Sou um completo e total simpatizante da parte desempenhada por este país [EUA] nesta guerra e desejo ver todos os recursos empregados para o sucesso da operação”. A fala de Dewey não deixa claro o que parece motivá-lo. Ali não está dito que qualquer sacrifício de vidas (dos outros, claro) é insignificante. Pois é mais importante, mostra maior valor e grandeza intelectual, defender uma ideia que não traz nenhuma vantagem real para si ou para o país, e sim uma que pode trazer sacrifícios. Ou seja, é para parecer o seguinte: “olha só como ele é valoroso! As ideias dele são maiores que as vidas de algumas pessoas anônimas”.

Pg.331, 1º§: já no início da I Guerra, membros da intelligentsia já imaginavam a Europa após o conflito. E o pensamento comum era uma fantasia que só criou terreno fértil para a grande guerra seguinte. A visão era de compensar as pequenas nações que estavam sob os grandes impérios (Austríaco e Otomano). Ou seja, criar países para minorias como forma de compensação pela submissão que passaram sob os impérios que os forçaram a uma guerra. Os grifos de FSR resumem bem: “A ideia de resgatar minorias oprimidas ignorava o prospecto – até se tornar realidade – de que as minorias oprimidas, ao ser tornarem grupo governante de suas próprias nações, iniciariam imediatamente o processo de opressão de outras minorias agora sob seu controle. (…) Estados pequenos e vulneráveis criados a partir do desmembramento do Império Habsburgo foram posteriormente arrebanhados, um por um, por Hitler durante a década de 1930”.

Pg.332, 2º§ e 3º§: os trechos transcritos a seguir são tão auto evidentes que nem precisam de comentários: (2º§) “Resumindo, o fim da autocracia na Europa, que Wilson e a intelligentsia, em geral, acolheram de forma tão festiva, não trouxe à cena promissores governos democráticos, esperados para substituir o antigo modelo, mas essas autocracias foram substituídas por regimes muito piores. Os czares, por exemplo, não executaram tantos prisioneiros políticos em 92 anos como os soviéticos executaram em um único ano.” E (3º§) “Anos mais tarde, outros governos autocráticos denunciados por outras gerações de intelectuais na China, no Irã ou em Cuba foram seguidos por regimes totalitários muito mais brutais e internamente repressivos, além de serem mais perigosos em suas políticas internacionais.”

Pg.335, 1º§: por fim, o governo Wilson pagou o preço de suas escolhas alinhadas com a intelligentsia. Quando uma nova década começava (década de 1920), o país inteiro repudiou a linha progressista e escolheu governos conservadores. Detalhe curioso: a década de 1920 trouxe grande prosperidade para os EUA – e pouco é dito sobre isso hoje em dia – as atenções são todas voltadas ao ano de 1929, quando houve o Crash da Bolsa e o longo esforço de recuperação nos anos seguintes (já comentados acima, lembra?). E essa recuperação foi comandada por um membro do governo Wilson: na época da I Guerra como segundo-secretário da Marinha, e depois, na década de 1930 e além como presidente: Franklin D. Roosevelt ( o presidente que de tão popular cumpriu três mandatos de presidente, e editou uma emenda à constituição americana para limitar para um, o número de reeleição para presidente – no Brasil, se faz o contrário, pois nós somos melhores que os gringos…

Pg.339, 1º§: entramos agora no período Entre Guerras, e como mencionei antes, vamos dar atenção ao que o intelectual (ungido) John Dewey defende nesta época. Antes disso, só lembro a você: Dewey era aquele americano disposto a sacrificar tudo em nome da Guerra, pois era um empreendimento valoroso. Pois bem, Dewey na década de 1920 estava junto com a intelligentsia defendendo que todos países do mundo renunciassem completamente os conflitos armados. Materializando essa renúncia com o completo desarmamento de cada país pelo seu próprio governo. Havia quem defendesse o oposto, a necessidade de armas para justamente coibir a ação de governantes totalitários imprudentes como o Kaiser Guilherme, que incitou a I Guerra (depois do atentado do maluquinho sérvio Gavrillo Princip). Dewey tinha palavras doces para descrever seus adversários intelectuais: [toda as pessoas que são céticas à renúncia internacional da guerra são] “estupidamente presas a uma mentalidade ligada aos velhos hábitos”, ele também dizia o seguinte sobre os argumentos contrários as suas ideias: [são argumentos provenientes] “dos que acreditam no sistema da guerra”. De fato, a intelligentsia era uma turma bem centrada e completamente avessa aos sentimentos quando o assunto é sério e precisa ser debatido com rigor.

Pg.342, 2º§: em 1926, um grupo da intelligentsia, apresentou uma petição exortando o mundo todo em avançar para o “completo desarmamento e desmilitarização da mentalidade entre nações civilizadas” entre os signatários vemos pessoas ilustres como: Bertrand Russell (matemático e filósofo), H.G. Wells (escritor), Romain Rolland (escritor e músico) e Georges Duhamel (escritor). Nenhum desses ilustres intelectuais parou realmente para pensar na consequência real da adoção de suas ideias. As nações que atendessem ao seu apelo estariam se colocando numa posição vulnerável a outras nações que não seguissem a exortação feita, o que tornaria as chances de um novo conflito mundial muito mais atraentes, já que haveria um lado que estaria desarmado.

Pg.343, 2º§ e pg.344, 1º§: a miopia intelectual promovida pela intelligentsia ignorava o fato de que forças militares de um país são agentes de dissuasão em si, diante de nações inimigas. Que o comportamento comum de todo país belicoso irá buscar um adversário mais fraco para poder garantir sua vitória e reforçar sua autoimagem de poder e força. Portanto, acreditar que todos os países do mundo irão (ou iriam) se desarmar para demonstrar para os outros países que ele é superior e civilizado – e logo, não vale a pena brincar de “jogue a bomba” porque esse país não revidará e não será divertido – é tão absurda que só pode funcionar dentro de uma cabeça de vento.

Pg.345, 2º§ e pg.346, 1º§: nos grifos de FSR nessas páginas, você vê que a base do multiculturalismo de hoje parece ter sido criada no começo do século XX, como um argumento pacifista. Tanto ontem como hoje o risco está em se enfraquecer um país diante de um inimigo em potencial, que não é pacifista, nem persuadível pela intelligentsia. Perceba que na pg.345 o destaque está para o sindicado dos professores franceses da década de 1920, que se recusavam a ensinar sobre heróis de guerra que lutaram defendendo a França contra o invasor alemão. A desculpa era que isso iria promover um espírito belicoso nos jovens. Na página seguinte, vem o argumento mequetrefe de que a melhor oposição ao nacionalismo (que é bobo, feio e chato) é o internacionalismo, ou “imparcialidade”, que iguala agressor e vítima. Esse truque em particular ficou famoso hoje em dia em escala menor.

Pg.346, 4º§ e pg.347, 1º§: a conduta apontada acima levou a um esforço da intelligentsia, no período entre Guerras, a reescrever livros de história com o objetivo de apagar (ou editar) as histórias de valor e sacrifício dos soldados franceses que morreram combatendo o invasor alemão. Com isso, não se destruiu só o sacrifício dos mortos e os bons valores que motivaram esse sacrifício. Também foi apagada a motivação nefasta da Alemanha naquela guerra. E sobre esse território mental vazio, é construída a ideia míope de que más são as armas em si, e a violência em sentido geral (sem um autor específico). Deixam de existir as pessoas que fizeram escolhas ruins que causaram morte e destruição, para dar espaço a um espírito tenebroso que se apossou das pessoas naquele tempo. Em tempo, a consequência dessa maluquice é explicada no segundo parágrafo da página 347.

Pg.348, 1º§: toda essa erosão da história da França, o esvaziamento de modelos de grandeza para a juventude no período entre Guerras rendeu como fruto o desastre do desempenho do país na II Guerra. A derrota nos primeiros embates, seguida de rendição já em 1940 dos franceses diante da Alemanha de Hitler aconteceu porque os soldados franceses foram educados a ver os conflitos da I Guerra não como exemplos de bravura e resistência a condições adversas, mas sim como um lugar de dor mútua entre adversários (perceba, o inimigo também sofre, coitado).

Pg.357, 2º§: ainda no período entre Guerras, o espírito pacifista instigado pela intelligentsia incentivava a promoção de conferências internacionais de desarmamento, assinaturas de acordos de renúncia de guerra e controle doméstico de armas. Porém, o que era solenemente ignorado pela intelligentsia é que a simples assinatura de tais acordos ou participação em congressos não significava real adesão ao que era dito ou escrito. Qualquer lei ou tratado só é respeitado se a pessoa (ou país) assim o quiser. Lembrando que ditaduras são mais rápidas em mudar de opinião (ou fingir que mudaram), pois o poder de decisão está nas mãos do ditador, e não de seu povo. Democracias, de uma forma ou de outra, mantem seus governantes reféns da opinião popular (esteja ela sendo manipulada ou não).

Pg.358, 1º§ e 2º§: como comentei acima, FSR grifou no primeiro parágrafo como funciona, nas democracias, a pressão para adesão ou não a tratados internacionais. Uma transcrição do trecho é esclarecedora: “Nas nações democráticas, nem os acadêmicos nem os intelectuais da mídia estão, em geral, muito preocupados em analisar minuciosamente as especificidades dos acordos de desarmamento, mas se preocupam em celebrar o simbolismo que a realização de tais tratados evoca, festejando o ‘arrefecimento das tensões internacionais’ como se a mera catarse emocional fosse suficiente para desviar, de seus objetivos, governos militarmente agressivos”.

Pg.361, 4º§: na França, essa atmosfera antibelicista promovida pela intelligentsia levava tanto o governo como a imprensa a esconder o peso real da ascensão de Hitler. Já em 1930, o maluco do bigodinho era definido para o povo francês como alguém incapaz de realizar suas ambições, mesmo com as evidências de sua ascensão no governo alemão. O motivo disso era que tanto a intelligentsia quanto os políticos acreditavam que os traumas que o povo sofreu na I Guerra ainda estavam pesando na consciência. E expor a dureza da realidade não faria bem, veja só… vai que o povo fica magoado com a notícia?! Seria um absurdo!!

Pg.362, 1º§ e 2º§ / pg.363, 1º§ e 2º§ e pg.364, 1º§: em todas essas páginas há grifos de FSR que resumem o impacto da imprensa em momentos cruciais anteriores a grandes conflitos. Jornais tomavam a assinatura de tratados e declarações de políticos que iam de acordo com suas visões como resoluções definitivas das ameaças reais. Ridicularizavam Hitler, chamando-o de incapaz e conspirador barato como resposta aos alertas dados por alguns intelectuais, ou correspondentes jornalísticos na Alemanha. Esse comportamento de negação dos fatos eram uma regra. Veja um exemplo desse comportamento: o editor do Times de Londres escreveu o seguinte para seu correspondente em Genebra: “faço meu melhor, dia após dia, para manter fora do jornal qualquer coisa que possa ferir suas (dos alemães) susceptibilidades (…) Estou convencido de que a paz do mundo depende, mais do que qualquer outra coisa, de nossa capacidade em construir relações razoáveis com a Alemanha”. Ou seja, há uma tradição um tanto antiga na manipulação de notícias, e isso não é paranoia de teórico da conspiração. A única diferença é que: tais manipulações não são para controlar o mundo, na verdade, tais coisas são feitas para satisfazer a visão pessoal de uma ou outra pessoa que tem o poder para tal. E essa pessoa é partidária de uma visão de mundo que pode se aproveitar dessa conduta. O que temos é um grupo de idiotas agindo por crença cega, e líderes se aproveitando dessas ações.

Pg.369, 3º§ até pg.370, 1º§: uma ação específica da intelligentsia que consolidou a confiança de Hitler de que iria conseguir o que queria foi o apoio que recebeu as suas reivindicações para anexar os Sudetos da Tchecoslováquia. Havia um tratado mútuo de defesa entre a França e a Tchecoslováquia que foi deixado de lado. Simplesmente porque a visão da intelligentsia não via nada demais em deixar a Alemanha anexar esse território. Tudo em nome da não belicosidade entre nações. Outro ponto foi o auge da popularidade e apoio que o primeiro ministro inglês Neville Chamberlain recebeu quando retornou da conferência de Munique que formalizou o abandono da Tchecoslováquia nas mãos de Hitler. Chamberlain estava tão satisfeito que descrevia Hitler como o instrumento “da paz para nossos tempos”. Harold Macmillan (…) escreveu o seguinte sobre Chamberlain naqueles dias: “O mundo inteiro parecia unido em gratidão ao homem que havia evitado a guerra. Sem dúvida que o primeiro-ministro vivia num humor quase intoxicado de euforia. Questionar sua autoridade era considerado um ato de traição, negar sua inspiração era quase uma blasfêmia”. Pois bem, menos de um ano depois, Hitler iniciava o conflito mais sangrento da História. Talvez, a paz que Hitler queria era a paz da submissão completa de seus inimigos. E paz pela submissão lembra algo nos dias de hoje?

Pg.375, 4º§ até pg.376, 1º§: o alerta final de Sowell para a estreita margem que países democráticos tem para evitar a catástrofe. A História mostrou, só nesses dois enormes conflitos, o perigo de negar a realidade para atender visões ideológicas que ignoram o mundo real. Da mesma foram que ocorreu no passado, as democracias ocidentais hoje hesitam diante de ameaças belicistas: Coréia do Norte, Islã, China e Rússia. Todos eles são ameaças ao Ocidente. Quase nenhum deles (talvez exceto o Islã) são fanáticos como Hitler (a visão de paz semelhante dos dois como insinuei acima). Mesmo assim, de uma forma ou de outra, todos exploram as dificuldade de ação de uma democracia. A intelligentsia de hoje usa o mesmo discurso antibelicista de antes, e também trata com o mesmo desprezo qualquer um que aponte para o risco em ser tolerante demais e fraco com os países citados. E calma, não estou promovendo aqui a guerra contra todos, mas sim a coragem em ignorar discursos ideológicos e buscar ver a realidade do que está acontecendo.

Uma última dica: como mencionei antes, em algum tópico deste resumo, há um podcast gringo sobre História muito bom: Hardcore History, apresentado por Dan Carlin. Os episódios muito longos, variando entre 3 a 4 horas cada programa. São excelentes! Trazem uma visão inédita para o brazuca comum. Sobre a I Guerra ele fez uma série de 6 programas – imagine o quanto ele explica! Já que cada programa dura três horas em média. Aos que estão dispostos a treinar seu inglês, é uma ótima pedida.

 

Capítulo 8 – OS Intelectuais e a Guerra: Repetindo a História

Este capítulo é mais focado na ação dos EUA nos grandes conflitos mundiais. E como muita coisa se repetiu mesmo com o passar do tempo.

Pg.379, 4º§ e pg.380, 1º§: os trechos destacados tratam do contraste na forma que a Europa e os EUA trataram seus soldados mortos. Os túmulos americanos tinham inscrições que lembravam da bravura, do sacrifício, da coragem e da liberdade conquistada duramente. Além de advertir sobre os maus que provocaram uma guerra para ferir os mais fracos. Do outro lado do Atlântico, os memoriais apontavam sempre para a “loucura” da guerra, sem apontar heróis ou vilões. FSR resume muito bem com o seguinte comentário: “Enquanto os EUA viram honra em se defender, a Europa achou loucura”.

Pg.380, 2º§: Sowell sintetiza bem a consequência do comportamento descrito acima: “Num período posterior, pessoas vivendo uma segurança conquistada com a vida de outras pessoas podem levianamente desconsiderar pontes como não tendo ‘a menor importância’, quando na verdade, numa situação de guerra, o controle sobre as pontes pode representar uma questão de vida ou de morte para os exércitos e consequentemente para o destino de nações inteiras.”. A memória do preço pago só é mantida se formos lembrados constantemente do preço pago. Das vidas perdidas. Quando a lembrança do nosso próprio passado (o familiar mesmo) é deixada de lado, ficamos reféns de qualquer ideia ou discurso do presente que nos agrade.

Pg.382, 2º§: um comportamento comum na intelligentsia é apresentar soluções dramáticas e bombásticas para problemas sérios e complexos. E não importa se o mesmo intelectual mudar de lado em um tema específico. Suas soluções serão igualmente dramáticas e bombásticas (e ambas certas). O matemático e filósofo Bertrand Russel foi um exemplo. Antes da I Guerra era um defensor ferrenho da guerra preventiva. Após o final desse conflito, se tornou um pacifista radical. Ou seja, a intelligentsia se vê no direito de mudar de opinião sobre um tema se as circunstâncias assim a forçarem. E essa mudança deve ser vista com naturalidade, pois o que foi dito antes deve ser esquecido completamente. FSR destaca uma frase no parágrafo que define bem o intelectual ungido: “Frequentemente errado, mas nunca em dúvida”.

Pg.386, 1º§: na verdade, existem duas guerras do Vietnã. Há o conflito retratado pela intelligentsia, que está cristalizado na mente da maioria hoje (os EUA tirânicos, tentando impor um regime de governo a um povo fraco que sofreu enormemente e pagou com sangue de seu povo até conseguir se livrar do invasor poderoso); e há o que de fato aconteceu. Os EUA decidiu entrar no conflito para tentar salvar a parte sul do país de um regime comunista que levaria o país inteiro à miséria e exploração. O resultado foi 50 mil soldados americanos mortos, vitórias militares decisivas, mas uma derrota avassaladora na propaganda, que não só forçou a saída das tropas como impossibilitou o governo americano de ajudar o regime político do Vietnã do Sul com armas e recursos.

Pg.388, 2º§: aqui vou transcrever inteiramente uma entrevista feita pelo Wall Street Journal a um coronel norte-vietnamita, nenhum resumo ou descrição seria melhor, ou traria mais impacto: “P.- O movimento pacifista contra a guerra, nos EUA, foi importante para a vitória de Hanói? R.- Foi fundamental para nossa estratégia. O apoio que tínhamos à guerra em nossa sociedade estava completamente assegurado, ao passo que o lado norte-americano era vulnerável. Todos os dias nossas lideranças escutavam os noticiários internacionais no rádio, às nove horas da manhã, a fim de acompanharem o crescimento do movimento contra a guerra nos EUA. Visitas a Hanói por pessoas como Jane Fonda, o ex-procurador geral Ramsey Clark e ministros nos enchiam de confiança para que continuássemos a resistir, mesmo diante dos reveses que sofríamos no campo de batalha. Ficamos exultantes quando Jane Fonda, usando um vestido vietnamita, disse diante da imprensa internacional que estava envergonhada das ações norte-americanas na guerra e que lutaria ao nosso lado. P.- O Politiburo prestava atenção a essas visitas? R.- Devotadamente. P.- Por quê? R.- Aquelas pessoas representavam a consciência da América. A consciência dos EUA era uma parte de sua capacidade para lutar a guerra e estávamos redirecionando aquele poder ao nosso favor. A América perdeu a guerra por causa de sua democracia; por meio de dissidências e de protestos ela perdeu o poder de mobilizar a vontade necessária para vencer”.

Pg.391, 1º§: uma batalha que causou grande impacto nos EUA e levou a intelligentsia (contrária à guerra) conseguir conquistar o povo americano foi a Ofensiva do Tet.

[versão resumida: Tet é um feriado vietnamita, algo como um ano novo. Houve uma trégua tácita durante o feriado, e os EUA não esperava nenhum ataque do Norte. Por conta disso, os vietcongues usaram toda a sua força naquela ofensiva. Apesar de ter sofrido perdas e mortes, as forças americanas causaram uma pesada derrota sobre os comunistas.]

Uma análise técnica do confronto aponta a hegemonia americana, porém, a narrativa construída pela intelligentsia foi vitoriosa. Os relatos feitos por jornalistas americanos mostravam toda a desgraça e horror da ofensiva vietcongue. E isso fixou na mente do povo americano que aquela guerra nunca seria vencida e só traria mais mortes para todos os lados. (De certa forma, lembra a visão europeia em seus memoriais da I Guerra, não é?). Nota interessante: na pg. 394, 2º§ o autor destaca que o único prémio Pulitzer dado a cobertura jornalística da ofensiva do Tet foi parar nas mãos de um jornalista que escrevera sobre o massacre de My Lai, mas que nunca tinha colocado os pés no Vietnã!

Pg.395, 3º§: mais um exemplo da parcialidade da imprensa (que se oferece como apresentadora imparcial dos fatos). Ainda no conflito do Vietnã, houve uma batalha na cidade de Hué, perto do Vietnã do Norte. Os vietcongues tomaram a cidade, capturando e massacrando milhares de civis. As tropas americanas contra-atacaram e tomaram de volta a cidade. Por conta do conflito, várias estruturas históricas antigas foram destruídas. Os jornalistas americanos criticaram duramente o exército dos EUA pelo prejuízo irreparável ao passado histórico dos vietnamitas. Nada foi dito sobre a chacina de vietnamitas do sul feita pelos vietcongues. O que deve ficar claro sempre é que a imprensa sempre está do lado de alguém. E por isso irá apresentar uma narrativa que agrade esse lado que defende. Quando toda a imprensa concorda com uma mesma narrativa é que temos um problema, pois o espectador/leitor comum só estará vendo um lado da questão. E nem irá perceber isso.

[Um comentário solto para tentar criar uma perspectiva melhor do cenário deste capítulo: perceba que o livro retrata as duas grandes guerras e o comportamento ambíguo da intelligentsia nesses dois conflitos. Lembre-se de como a mudança de opinião da intelligentsia repetia os mesmos erros de antes e depois da I Guerra, quando a II Guerra se aproximava. O grande conflito que os EUA se envolveram depois da II Guerra foi a Guerra da Coréia – que não é tratada no livro. Imagino que isso não houve pois a mesma geração que viveu os últimos anos da II Guerra ainda estava presente e representada no conflito da Coréia. Já no Vietnã era diferente. O tempo já tinha passado o bastante para o povo começar a esquecer. Isso vai se repetir durante a Guerra Fria, como veremos a seguir].

Pg.399, 1º§: agora na Guerra Fria, a mentalidade da intelligentsia começa a voltar para o pensamento de que guerras nada resolvem, repetindo o pensamento de Chamberlain (aquele primeiro ministro inglês que elogiou a habilidade de Hitler em trazer a paz): a guerra “não vence nada, não cura nada e não põe fim a nada”. Como a frase de Chamberlain soa bem pra caramba e parece mostrar uma sabedoria transcendental, a intelligentsia achou ideal para si. Não importando se a realidade mostrava que era justamente a demonstração de força em uma guerra que continha o holocausto nuclear. O parágrafo seguinte tem outro destaque de FSR que mostra como o pensamento da intelligentsia é, na realidade, vazio de sabedoria. Segue a transcrição: “Houve, certamente, guerras fúteis (…) Mas ninguém afirmaria às cegas que a ciência médica ‘nada resolve’ porque muitas pessoas morrem apesar de receberem tratamento médico e algumas outras morrem por receberem o tratamento errado. O mesmo vale para os riscos remotos da vacina”. Ou seja, mais vale uma avaliação mundana (do mundo prático e real) sobre qualquer guerra, do que uma análise bombástica e abstrata de um intelectual ungido.

Pg.401, 3º§ e pg.402, 1º§: como já comentado acima, a postura da intelligentsia em ignorar a experiência real (acordos entre países não respeitados por uma parte, ou de difícil verificação de que estavam sendo cumpridos), para celebrar visões fantásticas de que a URSS era só um país com os mesmos bons valores e objetivos pacíficos é só uma repetição do que era dito sobre a Alemanha nazista, e antes sobre o mesmo país sob o comando do Kaiser (para ficar nos exemplos europeus). O erro da intelligentsia é tentar construir uma imagem de que toda guerra nasce de uma divergência emocional, ou um simples mal-entendido; o que é uma loucura pensar assim. Estados entram em guerra pois tem interesse em arruinar o adversário e obter algo que o outro tem. Não é uma briga de pátio de escola porque um olhou feio para o outro.

Pg.405, 2º§: agora que estamos no período da Guerra Fria, aparece um personagem crucial para o seu fim: o presidente americano Ronald Reagan. Sei muito pouco sobre ele, e o livro trata como figura já conhecida (afinal, é um americano escrevendo pra outros americanos). Para entender um pouco o que será relatado aqui vale dizer que Reagan construiu sua candidatura à presidente aparentando ser um republicano moderado (um RINO, como chamam lá: Republican In Name Only – “republicano só no nome”). Acontece que, eleito presidente, Reagan se mostrou um verdadeiro conservador. E isso deixou a intelligentsia aflita. Um exemplo está no destaque que FSR fez no parágrafo, citando um trecho de como Reagan tratava a URSS como nação adversária que tinha como objetivo a destruição da América. Segue a transcrição do trecho do livro: “[a visão de URSS adversária] ficou explícita quando ele [Reagan] chamou a URSS de ‘império maligno’ – para a consternação da intelligentsia”.

Pg.406, 4º§: a abordagem firme de Reagan para com a URSS assustava a intelligentsia, que insistia que tal postura iria levar os EUA para uma guerra. Porém, o que de fato ocorreu foi exatamente o contrário. Nesta mesma página do livro há o relato de uma reunião de cúpula para discutir a redução de armas entre as duas potencias, tudo seguia bem até que o líder soviético Mikhail Gorbachev dizer que o acordo só ocorreria se os EUA abandonassem o programa “Guerra nas Estrelas”. Reagan simplesmente se levantou no meio da reunião e foi embora. Para mim, parece que um líder democrático, decidido à defender seus país de inimigos que fazem uso das ideias do momento, defendidas pela intelligentsia, terá sucesso no longo prazo se for hábil em vencer a guerra cultural dentro de seu país.

Pg.410, 2º§ e pg.411, 1º§: Reagan, durante a Guerra Fria, tinha a postura contrária da intelligentsia de manter a pressão sobre a URSS com o desenvolvimento do poder militar dos EUA. Ou seja, a manutenção da corrida armamentista (se a querida leitora, ou o caro leitor, lembrar dos anos 1980, poderá recordar da paranoia com uma guerra nuclear. Vários filmes e séries abordavam temas sobre como seria o mundo depois de uma hecatombe nuclear). Essa decisão de Reagan era baseada não em suas ideias somente (o que era a base de pensamento da intelligentsia), ele se baseava em trabalho efetivo dos agentes de inteligência que analisavam e vigiavam as ações e movimentos da URSS. Por fim, os altos custos da corrida armamentista, mostrou como a URSS era frágil economicamente, e incapaz de manter o ritmo. O próprio Gorbachev e ex-membros do alto escalão soviético reconheceram que foi a tenacidade da política de Reagan representou um fator crucial para a queda da ditadura soviética.

Pg.414, 2º§: pois bem, depois de relatar como Reagan agiu, apesar dos apelos da intelligentsia, chegou o momento de relatar o que os intelectuais ungidos estavam fazendo todo esse tempo. E como isso de alguma maneira tem reflexo ainda hoje. Neste parágrafo o livro trata das resoluções elaboradas e aplicadas pela NEA (o sindicado dos professores nos EUA) nas salas de aula. Essas resoluções eram para incentivar e premiar professores que criassem atividades com os alunos para promover ideias pacifistas e a visão de mundo internacionalista. Lembrando bastante o que outros professores fizeram na França, na década de 1920 e 1930. Então imagine qual foi a pegada.

Pg.420, 2º§: a fantasia de que a solução evidente para atos violentos é a atuação de uma força repressora de Estado não é a correta, mas sim uma solução alternativa que envolve qualquer outra coisa menos o confronto direto com o problema (indo de iluminação nas ruas para combater assaltos até a redução de tropas militares para reduzir atentados terroristas). O trecho do livro trata do caso no Iraque ocupado pelas forças americanas em 2007. Antes do aumento das tropas (combatida pela intelligentsia) o número de vítimas civis iraquianas no mês era de 3.500 pessoas. Após o aumento real de soldados americanos essas fatalidades caíram para 350 ao mês até o final daquele ano. No caso dos próprios soldados americanos, também vítimas desses atentados, começaram o ano em 83 ao mês, crescendo até 126 mortes (o pico), para terminar o ano em 23 fatalidades. Ou seja, o combate à violência se dá através da ação do poder armado do Estado, sob o devido controle e vigilância do sistema legal (sei que é evidente dizer isso, mas tenho o dever moral de falar que a Lei deve imperar, mesmo no terror. E não a lei que se reinventa toda hora, mas aquela nascida da Tradição).

Pg.430, 1º§: o esforço da imprensa (em sua maioria, uma seguidora fiel da intelligentsia) em reforçar sua visão de mundo é buscar formas de desacreditar qualquer aspecto da realidade que vai de encontro com seus (da intelligentsia) ideais. Ainda no exemplo dos soldados americanos no Iraque, a imprensa se esforçava em criar a mesma comoção conseguida durante o conflito no Vietnã. Porém sem o mesmo sucesso (exceto em países irrelevantes como aqui). Como a ocupação já havia ocorrido, W. Bush já havia sido reeleito, a reversão completa da invasão deveria ser forçada pela aclamação popular. Assim, o soldado americano passou a ser o alvo. Não diretamente, mas sim mostrando que os horrores da invasão destruíam o indivíduo. O New York Times (sempre ele…) publicou um artigo de primeira página mostrando que os veteranos do Iraque cometiam assassinatos nos EUA por conta de seus traumas de guerra. A matéria, claro, não fez a análise comparativa do índice percentual de quantos desses assassinos representavam do total de soldados veteranos do Iraque. Se isso fosse feito, e comparado com o percentual de assassinos da população americana que não serviu no Iraque apresentariam um cenário bem menos alarmista. Mas esse não é o objetivo da imprensa – que é sempre parcial; principalmente quando diz que não é.

Pg.439, 1º§ e 2º§: quando se trata da mentalidade defendida pela intelligentsia como prevenção de qualquer conflito, o mote “cidadão do mundo” é um bom resumo. A ideia é criar um espírito de identificação de um indivíduo com outro que tenha nascido em qualquer outro país diferente do seu. Mas isso é um erro fenomenal. A personalidade e universo direto onde cada um vive está baseado em sua cidade, nas regras, valores e costumes que segue e são componentes da História do país que vive. É essa estrutura nacional (instituições, tradições e normas) que garantem a preservação daquele indivíduo. Por mais que ele busque se simpatizar com outra pessoa que esteja do outro lado do mundo, ele assim o fará com base primeiro nos valores que aprendeu em sua rua, em seu país. Se o indivíduo do outro lado do mundo tem valores iguais ou parecidos, a empatia se realiza. Logo é natural defender esse mesmo país se ameaçado por outro país que o ataque (e só haverá tal ataque se houver uma discordância entre esses dois países, e uma discordância prática e não ideológica). Por último, a simpatia entre dois indivíduos é perfeitamente possível e sempre recomendável, mas essa compreensão mútua se dá entre pessoas, com impactos pessoais, não entre nações.

Pg.440, 2º§: ainda na ideia do tópico anterior, focando no aspecto de que um país possui uma estrutura para suporte e desenvolvimento do indivíduo. Essa estrutura é a História daquele país, a personalidade de seu povo. E é assim porque cada indivíduo retribui a essa cultura nacional agindo conforme ela, sacrificando-se em nome desse bem maior partilhado por seus conterrâneos. Claro, há aqueles que não partilham dessa cultura e vivem como parasitas daquele país, uma vez que aproveitam das condições ali criadas sem contribuir para que elas se mantenham. Caso isso se generalize, o país fica indefeso, se desintegra; tornando-se assim alvo de um agressor externo. Fugindo um pouco do tema do capítulo, terminei me lembrando do Brasil e seus programas assistenciais. Inegavelmente há entre os beneficiários que aproveitam as migalhas que recebem para estagnarem em suas vidas e sobreviverem com o que lhes é dado, sem buscar por algo mais. Não tenho a menor ideia do tamanho dessa parcela, e sei que tal comportamento não é exclusivo dessa parcela do povo. Também é parasita do Brasil o político, intelectual ou empresário rico que assim se mantém saqueando os recursos públicos, seja por rapinagem ou omissão em apontar o erro que vê e nada faz.

Capítulo 9 – Os Intelectuais e a Sociedade

Pg.441, 1º§: já na apresentação do capítulo Sowell aponta (e FSR destaca) qual será a pegada:  compreender a intelligentsia. Agora o leitor irá entender o que eles fazem de fato, e não o que dizem fazer. Ou seja, vamos confrontar a intelligentsia com aquele ser estranho para ela: a realidade.

Pg.442, 3º§: um destaque importante feito por FSR que é fundamental para entender o intelectual: muito do que é base para visão de mundo da intelligentsia hoje foi construído em cima de interpretações de terceiros sobre livros de autores como Charles Darwin e Friedrich Hayek. O primeiro é o famoso naturalista que escreveu a Teoria da Evolução das Espécies, que para muitos é uma realidade provada mesmo sem entender sobre o assunto; há aqueles que desacreditam completamente no que Darwin teorizou e muito poucos percebem que a teoria apresentada ainda é uma teoria sem comprovação efetiva e é tão válida quanto a visão alegórica da criação divina (por favor, não estou falando da interpretação literal da Bíblia de que o homem foi feito do barro, e sua mulher, de uma costela dele). Quanto a Hayek, é um célebre economista de viés liberal e que pouco aborda questões culturais em seus escritos.

Pg.443, 3º§: é uma ironia destacar que o erro mais comum dos intelectuais é ceder à emoção, quando confrontado com alguém que discorda de seu ponto de vista – essa turma não cede à emoção. Eles são pura emoção! Perceba que a descrição de um intelectual sobre outro que discorda é algo como: racista, machista, homofóbico, etc. nenhum desses adjetivos descreve uma ideia e sim uma emoção – geralmente negativa. Quem ouve bastante o podcast Guten Morgen já se deparou com essa descrição. Basta lembrar do episódio (acho que o 33, já recomendado acima), onde Morgenstern fala do movimento iluminista – que retratava a época anterior como Idade das Trevas. A Idade Média preservou e ampliou a sabedoria antiga através da Escolástica, mas como os iluministas, de duas, uma: ou não entenderam direito o que a Escolástica ensinava, ou estavam fascinados demais com o que entendiam por Ciência; preferiram retratar tudo aquilo que parecia discordar de sua visão de mundo como algo trevoso. Sem a luz do que entendiam que era a Razão.

Pg.446, 2º§: Sowell explica aqui que a atividade das áreas cientificas podem ganhar mais notoriedade do que as humanidades. Pelo menos dentro da sua área de conhecimento. [transcrição do trecho para melhor compreensão]: “Um pioneiro em cirurgia cardíaca pode conquistar notoriedade nacional ou mundial sem nunca precisar explica, para o público leito, as complexidades do coração ou da técnica cirúrgica. Por outro lado, um pioneiro na área de linguística, como é o caso de Noam Chomsky, nunca teria se tornado, para além do âmbito de sua especialidade, uma figura amplamente conhecida*, como ele acabou se tornando ao fazer toda sorte de comentários sobre assuntos e eventos que ultrapassam em muito os limites de seu campo, a linguística”.

O que vai acima foi anotação direta de FSR, sem intervenção minha – e devo dizer que não faria melhor, mais fácil eu escrever e comentar mais. Por último, Noam Chomsky, para quem não conhece é um intelectual que vive nos EUA e é defensor de ideais socialistas, sendo assim bastante simpático ao partido Democrata. Se não me engano defensor de Fidel Castro e outros líderes comunistas famosos.

Pg.447, 2º§: o prof. Richard Posner realizou um estudo, intitulado Public Intelectuals, onde conseguiu perceber o seguinte: muitos indivíduos que alcançam a celebridade, ou prestígio, do público, jamais alcançam o mesmo reconhecimento entre seus pares dentro de suas respectivas profissões. Ou seja, intelectuais famosos e que sempre são consultados sobre vários temas, tem um desempenho modesto dentro de sua área de formação, havendo até casos onde o alto prestígio na mídia é quase que inversamente proporcional ao prestígio acadêmico. Isso, claro, não exclui casos extraordinários de peso e valor tanto na mídia como na academia – porém isto é raro.

Pg.450, 1º§: outro ponto prático é a demanda por intelectuais públicos. É evidente que o produto ofertado por intelectuais – as ideias – tem demanda bem diferente do que médicos e engenheiros oferecem. Assim, a demanda por intelectuais vem de instituições educacionais e dos próprios intelectuais. Quando partimos para intelectuais públicos, que oferecem soluções para o que chamam de problemas importantes que a sociedade deve dar atenção, começa a parecer que não há tanto espaço assim para tanta gente que todo ano se forma em Sociologia, Letras, Filosofia e cursos afins da área de Humanas. Como a demanda tende a ser baixa, cabe aos próprios intelectuais aumentar a demanda por si mesmos. O que me leva a pensar que o intelectual realmente busca reconhecimento para suas ideias junto ao público, reforçando o alerta que deve se ter quanto ao ego do intelectual.

Pg.450, 3º§: uma separação deve ser feita entre os intelectuais públicos. Há os intelectuais acadêmicos, que após conquistar certo reconhecimento dentro de seu meio, procuram ampliar sua importância indo atrás de reconhecimento público. O outro grupo, o de intelectuais não acadêmicos, primeiro conquistam seu prestígio público dentro de suas respectivas áreas para então se aventurarem na condição de intelectual capaz de apresentar soluções para os mais diversos assuntos além daquele que trouxe seu reconhecimento. É este o grupo dos artistas, músicos, jornalistas e empresários, todos de sucesso, que escolhem (ou se deixam ser escolhidos) expor suas visões de mundo e opiniões sobre qualquer assunto, pois eles são… famosos!

Pg.453, 3º§ e 4º§ / pg.454, 1º§ (3 primeiras linhas): outro ponto da mentalidade da intelligentsia que torna a mesma separada da realidade é o desprezo que ela tem pelo que não é alcançado puramente pela razão. Por exemplo, indivíduos particulares fazerem o uso da força para defesa própria é compreendido pela intelligentsia como algo inferior, fundamentalmente errado em si mesmo. Portanto, tal conduta deve ser o último recurso a ser utilizado – e com certo nojinho. E que fique claro, para intelligentsia o uso da força não é bem a última alternativa em uma lista de atitudes. É aquela última opção em ordem de preferência, ou seja, o intelectual acredita que sempre há espaço para esperar uma mudança de atitude do adversário, ou uma iluminação que o faça mudar de ideia e desfazer todo o mal e provocações feitas até então. Efetivamente o que a intelligentsia prega é a tolerância em grau absoluto, beirando a covardia em agir.

Pg.455, 2º§: aqui Sowell diz porque a intelligentsia tem tanta influência nas decisões dos países. E como isso cresceu tanto no Ocidente. A base da influência está no poder que os intelectuais públicos têm sobre o grande público. Como esse mesmo público, cada vez mais tem tido poder de influência sobre as políticas nacionais, a intelligentsia age sobre os países manipulando o que o povo pensa e exige de seus governantes (por isso, a força tremenda de ideologias progressistas em democracias e sua completa insignificância em ditaduras e regimes totalitários – como Cuba, Irã, Síria, Rússia, entre outros).

Pg.456, 2º§: neste parágrafo Sowell fala dos EUA, apontado o período entre as décadas de 1960 e 1980 como o auge da influência da intelligentsia naquele país. A queda dessa hegemonia se deu quando outros intelectuais (que não membros ou seguidores da intelligentsia) passaram a ser ouvidos pelo grande público. Como esses intelectuais estão mais ligados ao pensamento conservador, a população em geral agora tem acesso a duas visões distintas para escolher qual apoiar – logo, os políticos passam a ter dois tipos de pressão, escolhendo a que acreditam ser a opinião da maioria, para garantir sua sobrevivência política. FSR, em um comentário ao lado deste parágrafo pensa que talvez essa mudança esteja agora chegando aqui no Brasil. Os sinais, claro, são evidentes. O que ainda resta dúvida é se os políticos brasileiros estão realmente se sentindo pressionados pela parte conservadora da população, ou estão fazendo jogo de cena. As eleições de 2018 é que irão dizer, quando um novo presidente, um novo Congresso e novos governadores forem eleitos. Mais uma vez, a decisão estará nas mãos de cada um de nós – percebamos isso ou não.

Pg.460, 2º§: já foi comentado antes neste resumo que a imprensa é um dos meios que a intelligentsia tem para transmitir sua visão de mundo para o grande público, e assim influenciar as forças governantes de um país. Outro canal são os professores de escolas. O impacto deles, claro, é pouco percebido e bastante modesto. Mas como tem se tornado comum aos professores saírem cada vez mais do conteúdo de seus programas de ensino, avançando para temas e atividades que estão mais próximas da doutrinação ideológica, a sua influência tem sido com o foco em alterar os valores tradicionais que os pais ensinam e manipulação psicológica para orientar a visão de mundo dos alunos. Isso, consequentemente se reflete na própria sociedade tanto a presente quanto a que sucederá daqui a alguns anos, quando esses jovens forem adultos e capazes de agir no mundo real de acordo com o que lhes foi ensinado. (estou terminando a revisão deste resumo dias depois da publicação do CB587 – a correlação fica bem clara deste trecho do livro e o programa).

Pg.463, 2º§: mais uma vez, a transcrição de um parágrafo é mais esclarecedor que um contexto local, veja só: “Dentre as arrogantes suposições da intelligentsia, temos aquela cuja ideia central insinua que estranhos devam dar significado para a vida das pessoas comuns, mobilizando-as para uma causa comum e dando-lhes um sentido de importância. Qualquer um que pense que uma mãe não é importante para a criança, ou a criança para uma mãe, não sabe nada sobre seres humanos. Há poucas coisas tão importantes para pessoas que se amam do que um ao outro. A maior parte das pessoas já tem alguém para o qual ele ou ela tem uma importância enorme e sua vida nunca seria a mesma sem a presença dessa pessoa. Que para os intelectuais tais tipos de pessoa pareçam não ter a menor importância diz mais a respeito da natureza deles do que sobre as pessoas. E projetar essa suposta não importância sobre a vida das próprias pessoas é uma das muitas violações dos padrões intelectuais fundamentais perpetradas pelos intelectuais”. Pois é, não poderia ser mais enfático, certo?

Pg.464, 2º§: voltando a imprensa e seu poder de ação, Sowell descreve o cenário nos EUA, onde jornalistas não mais respondem legalmente por calúnia e difamação, quando se trata de pessoa pública. Diferente do Brasil, onde um processo pode ser aberto, mas não garante que a punição sobre o jornalista será feita. Caberá ao juiz analisar. Há casos diversos, com respostas para todos os lados. A jornalista Joice Hasselmann foi acionada judicialmente por Lula, por crime contra a honra (calúnia, difamação e injúria são crimes contra a honra de alguém), o resultado foi definitivo à favor da jornalista (que insistia que o crime é impossível, pois Lula não tem honra… opinião dela, claro, reconhecida pelos juízes uma vez que Lula de fato responde por crimes que afetam a sua (dele) honra. Outro caso, o jornalista Paulo Henrique Amorim, em seu site, chamou um repórter e apresentador de telejornal da Globo Heraldo Pinheiro de “negro de alma branca”, como resultado foi obrigado a se desculpar publicamente e pagar indenização. Logo se percebe que jornalistas no Brasil não estão imunes ao peso da lei sobre suas palavras, mas o custo processual e a demora da Justiça podem ser o suficiente para restringir seu trabalho, quando contrário a figuras de poder ou prestígio.

Pg.467, 2º§: como já foi comentado em capítulo anterior, a ação dos juízes alinhados com a intelligentsia é elogiada, enquanto aqueles que se mantem restritos ao que as leis e a tradição (no caso dos EUA isso tem peso) são criticados. A burocracia governamental também recebe a mesma influência, mas não o mesmo destaque que juízes de tribunais superiores, ou ainda políticos em cargos eletivos recebem. Como essa burocracia não possui um rosto, sua atuação é livre de pressão popular, sendo uma forma da intelligentsia forçar sua visão de mundo, mesmo ela estando contrária à opinião popular. Vamos a um exemplo real, para ficar mais claro. Em 2005, houve no Brasil um plebiscito para aprovar o estatuto do desarmamento, a burritsia nacional tinha convicção de que sua visão seria vencedora, o estatuto seria aprovado e longas campanhas exortando a população a entregar suas armas seriam feitas e, caso ocorresse da polícia encontrar uma arma na casa de um cidadão, a mesma seria apreendida sem direito a protesto do cidadão infrator. Bem, o plebiscito rejeitou o estatuto. Mesmo assim as campanhas seguem até hoje, e o porte de arma, que era um processo objetivo e relativamente simples, foi alterado para impor avaliações subjetivas de um servidor público que não pode ser contestada. Esse novo regulamento, como não é uma lei, mas uma portaria que pode ser publicada e alterada sem consulta popular impôs, da maneira possível, o estatuto que a burritsia quis impor e não conseguiu. O foco, que deveria ser em impedir bandidos de adquirirem armas é solenemente ignorado tanto pela burritsia quanto pelo governo federal.

Pg.468, 2º§: pois bem, logo se percebe que existe uma considerável rede de pessoas que reforçam a visão de mundo e ideias da intelligentsia: imprensa, políticos e burocracia governamental. Todos eles levando a atenção do grande público não só para os temas que julgam mais importantes, mas também para as respostas que a intelligentsia dá para esses mesmos temas. Visões conflitantes, como já vimos, são tratadas de maneira emocional e depreciativa. Logo, termos como “consenso científico”, que não significa nada demais, passa a ser sinônimo de verdade absoluta e não pode ser contestada por especialistas divergentes muito menos pelo grande público. Desculpe, mas tenho que fazer referência a duas longas discussões (no bom sentido sempre) que ocorreram na Confraria: i) sobre aquecimento global, ideia defendida pelo confrade André Mazzeto e ii) sobre a descriminalização do uso e porte da maconha (cujos simpatizantes, de memória, eram: Cleiton Magnun e GZR). Em ambos os casos estou do lado oposto aos confrades citados, e agradeço a todos por me fazerem pensar mais sobre o assunto.

Pg.472, 1º§: o propósito do intelectual é dito neste parágrafo, e o destaque de FSR é importante. A intelligentsia busca remodelar os grupos nos quais as pessoas por tradição se arranjam: família, religião e pátria, por exemplo. Os significados desses grupos é transformado pela intelligentsia como suspeitos ou prejudiciais. São descritos como ferramentas de controle de uma entidade sem rosto, às vezes chamada de “sistema”, ou mais absurdamente, “sociedade” (já que sociedade é exatamente o resultado – não o gerador – do sistema de grupos formados pelas pessoas). Como saída para esse sistema opressor, a intelligentsia cria novos grupos, supostamente mais abrangentes e libertadores, como “classe social” e “gênero”. Não posso evitar pensar em uma analogia nefasta: o continente africano, no século XIX, foi dividido e colonizado por alguns países europeus. A divisão de terras não era feita por agrupamentos tribais, nações ou acidentes geográficos (todo o Velho Mundo, desde a antiguidade, se organizou assim), mas através de divisões artificiais baseadas em linhas imaginárias, como paralelos e meridianas geográficas. Dessa forma, tribos rivais foram forçadas a viver sobre o comando de seus colonizadores. Depois, quando livres de seus senhores europeus, se viram com um país sem nenhuma identidade comum, pois não havia laço emocional que unisse aquela população. Até a ideia de povo era estranha, pois em vários países havia o contrário: veja o exemplo do massacre sob os olhos passivos da ONU entre hutus e tutsi (filme Hotel Ruanda).

Pg.473, 3º§: outro grave exemplo da atuação na intelligentsia hoje é a constante apologia ao mulçumano na Europa. Baseando-se em uma suposta postura de tolerância* (o sentido real da palavra já se perdeu a muito tempo, pois só se tolera o que é mau, e definitivamente não é assim que o Islã é visto pela intelligentsia), países europeus estão sacrificando suas próprias leis, ao permitir o estabelecimento de enclaves mulçumanos dentro de suas cidades, onde a única lei vigente é a islâmica. Seja você um mulçumano ou não, se estiver dentro do bairro mulçumano, será penalizado se infringir a lei deles. * Para saber mais sobre tolerância, escute o CB585.

Pg.474, 2º§: algo precisa ficar claro. Sowell não está dizendo que a intelligentsia age como age por interesse e maldade calculados. É bem possível que todos eles acreditem sinceramente nas ideias e soluções que propõem. O que preocupa é que as ideias da intelligentsia não tem fundamento real ou mesmo são colocadas à prova antes de serem anunciadas. E, mesmo após seu anúncio e adesão, esses mesmo intelectuais em momento algum se perguntam: “E então, funcionou?”. A intelligentsia se nega, também, a comparar o resultado de suas ideias com o resultado de outras, principalmente as ideias adversárias as suas. E só para reforçar: comparação justa, sem omissão de detalhes ou subversão de dados para reafirmar as próprias ideias. Em tempo, essa postura da intelligentsia é, em sua base, da mentalidade revolucionária que Olavo de Carvalho já mencionou em seu finado podcast. Em linhas gerais, essa visão de mundo (e realidade) entende que só há glória e valor no futuro, e o passado deve ser abandonado e esquecido.

Pg.475, 3º§: voltando um pouco ao comentário da pg.472, 1º§ acima. Nessa construção artificial de novos grupos como classe social e gênero, o resultado prático que se obtém é tão absurdo que um bebê recém-nascido já carrega consigo um pacote de reclamações contra outros bebês iguais a ele que nasceram naquele mesmo dia!

Pg.477, 2º§: como se pode perceber, a intelligentsia se vê como a agente da mudança. E não de uma mudança feita de maneira ponderada, com tentativas e erros, em busca do aperfeiçoamento para só então ampliar sua adoção. Não, o intelectual ungido se vê como o escolhido que irá apontar quem é o representante do mal, o opressor – e merece pagar o preço do erro, mesmo que seja um erro ancestral – e quem é o oprimido, o avatar da bondade e eterno injustiçado. Bem, essa é uma narrativa válida para uma criança de 5 anos.

Pg.479, 1º§: como tanto eu e FSR destacamos acima sobre essa narrativa de culpa ancestral ser a base de compensações materiais para descendentes que só uma minoria é capaz de narrar uma história de sofrimento em sua própria família, cabe destacar um fato histórico ignorado sumariamente: os mouros do norte da África sequestraram e escravizaram muito mais europeus, enviando-os para os países mulçumanos do que o número de escravos negros enviados para os EUA. Com um agravante: os escravos europeus tinham dois destinos certos: se homens, seriam castrados para servir como escravos eunucos, sendo mulheres, seriam usadas como escravas sexuais. Nenhuma reparação histórica é cobrada pela intelligentsia para os europeus, que apesar disso, conseguiram, sem a ajuda dos intelectuais ungidos, combater esse mal e progredirem.

Pg.484, 2º§ e 5º§: voltando à influência da intelligentsia nas escolas e faculdades. O objetivo da educação formal foi alterado. O papel de equipar os alunos com conhecimentos e habilidades intelectuais que os permitisse avaliar corretamente as questões para então pensarem de forma inteligente, se tornou uma doutrinação de visão única do mundo, transmitida sem questionamento ou análise séria, livre de emoção. Culturas que mantiveram povos inteiros presos na pobreza, na doença, na violência e no caos são romantizadas. Enquanto que culturas que serviram de base para a riqueza, avanços médicos e prosperidade do mundo atual são vilanizadas e humilhadas. Tudo em nome de uma suposta compensação moral construída do nada. Também é implantada a ideia de que qualquer um que desfrute de riqueza, a conseguiu unicamente através de meios injustos e cruéis. No fim, o que os professores ensinam é a preguiça. Pois é mais fácil reclamar que o outro não fez o suficiente do que ir lá e fazer algo a respeito. Também é mais fácil aceitar uma visão de mundo entregue por um professor do que aprender técnicas e habilidades que tornem o aluno capaz de compreender sozinho um determinado tema ou situação.

Pg.486, 3º§ a 5º§: a intelligentsia se vê habilitada em determinar decisões sobre questões diversas que vão desde políticas habitacionais até leis para transplante de órgãos. Ignorando que as pessoas diretamente envolvidas é que deveriam ser as melhores avaliadoras sobre cada situação. E para garantir sua autoridade, filtram informações deixando de lado qualquer fato ou visão que seja contraditória com seu pensamento. Esse comportamento de filtrar informações e construir uma divisão artificial que coloca a intelligentsia acima de toda a sociedade por conta de uma suposta sabedoria transcendental, mostra o tamanho da picaretagem dessa turma.

Pg.487, 2º§ e 3º§: para concluir, é melhor transcrever um trecho do resumo feito por Sowell, no trecho final do livro: “Sua [da intelligentsia] visão de mundo não é apenas uma visão de transformação do mundo, mas é sobretudo a visão que eles têm de si mesmos, pois se fazem em vanguarda auto ungida, conduzindo os outros para um mundo melhor. Aqueles cujas ideias específicas ou visão geral são diferentes – os ignorantes – são geralmente tratados como elementos desprezíveis, meros obstáculos ao progresso, incômodos que podem ser desconsiderados, contornados ou desacreditados, em vez de ser tratados como pessoas que participam do mesmo plano moral e intelectual, cujos argumentos podem ser avaliados factual e racionalmente”.

 

Comentário final: o livro é incrível! Leituras sucessivas podem trazer melhores insights. E com certeza insights melhores que os meus. De certa forma, eu fui guiado pelos destaques de FSR, que me fizeram prestar maior atenção a vários trechos já grifados. Não sei dizer se isso que está sendo feito aqui no projeto #demaoemmao é o registro do que acontece em um grupo de estudos não formal – por formal, digo grupos de estudo entre estudantes de uma faculdade ou universidade, focados em uma matéria de seu currículo acadêmico. Por último, agradeço a paciência dos diretamente envolvidos: FSR, que gentilmente me emprestou o livro e jamais me cobrou nada e Elis, que aguardou pacientemente eu ler e escrever esse resumo. Ambos me incentivaram sempre com palavras de apoio.

 

FIM

 

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